terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ponto de Fuga - Chico Maranhão

Do que você tem medo?




Eu não tenho medo de amar muito.



Meu grande medo sempre foi o de não conseguir amar, o medo da anestesia afetiva.



A anestesia afetiva é o que me apavora.

http://wunschelrute.blogspot.com/2010/08/do-que-voce-tem-medo.html#comments

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Agora

Abdico a funções grotescas.
Sou o que o amor me propoem a ser.
Construção do divino. Pudor e Verdade.
Sou o melhor de mim em mim, para si.
Da transparencia puro mistério.
Da iminencia do pecado somos opostos.

O desejo que me corroe só o impossível sente.
Veemente sou sua.
É o que sacia minha alma, cala meu sussurro.
Acalma meu seio, me chama de sua.

O cheiro que exalo sai do encontro das suas mãos com minha nuca. Eternamente.

Água Viva

"Estou dentro dos grandes sonhos da noite: pois o agora-já é de noite. E canto a passagem do tempo: sou ainda a rainha dos medas e dos persas e sou também a minha lenta evolução que se lança como uma ponte levadiça num futuro cujas névoas leitosas já respiro hoje. Minha aura é mistério de vida. Eu me ultrapasso abdicando de mim e então sou o mundo: sigo a voz do mundo, eu mesma de súbito com voz única."


Clarice Lispector. Água Viva. Rio de Janeiro. Rocco. 1998. p.24


Um dos melhores presentes que ganhei.
Foi me dado com grande sentido e lido com muito apreço.
25/03/2010

domingo, 29 de agosto de 2010

The Last Song




" O Amor é frágil,
e as vezes a gente se descuida dele,a gente vai levando e fazendo o que pode. Fica torcendo pra que essa coisinha frágil sobreviva contra todos os infortunios."



"Porque a música e o amor vão te trazer alegria!"

Um filme de amor e música. Por não saber que havia o livro, acabei vendo o filme primeiro.

Ainda Bem - Vanessa da Matta




Existem muitas coisas que valem a pena ser lembradas. Principalmente daquelas que vivemos intensamente. E agora? Lembrarei de todas as coisas da minha vida?

Dhyana

"As palavras são as figuras, o silêncio é o fundo. Palavras vão e voltam, o silêncio permanece. Quando você nasceu, nasceu como silêncio - apenas intervalos e intervalos, espaços e espaços. Veio ao mundo com um vazio infinito, um vazio sem limites que trouxe você à vida. E então você começou a colecionar palavras.

O vazio é o seu ser."

Osho. Aprendendo a silenciar a mente. ed. Sextante, 2002. p.24 e 25

Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres

"Lembrou-se de como era antes destes momentos de agora. Ela era antes uma mulher que procurava um modo, uma forma. E agora tinha o que na verdade era tão mais perfeito: era a grande liberdade de não ter modos nem formas(...) Mesmo que nunca mais fosse sentir a grave e suave força de existir e amar, daí em diante, ela já sabia pelo que esperar, esperar a vida inteira se necessário, e se necessário jamais ter de novo o que esperava.(...) Era uma beleza que nada e ninguém poderia alcançar para tomar, de tão alta, grande, funda e escura que era."
Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.149
Costumava ter Clarice como minha escritora de cabeceira, até ler este livro e perceber o quão magnifico é o que nele ela colocou. A cada palavra o fascínio aumentava, e , por mais que quisesse saber o final, lia bem devagar para ir além do que a mente conseguia traduzir. Ela entende a alma como poucos. Ela escreve nossa alma em diversos momentos. E nos faz perceber que nada é melhor que ser. SER. Infinitamente. Certamente, a partir de hoje, tenho um livro de cabeceira da minha escritora de cabeceira!



":alivia minha alma, (...), faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, (...), faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la , abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.112 e 113

sábado, 28 de agosto de 2010

Security - Joss Stone

Eliza Doolittle - Pack up




"Pack up your drama and your old big bag
And carry them to see the sea
I don’t care what the people may say
What the people may say about me"

Colha à si mesma!


Existe um sorriso sem entusiasmo
por detrás daquele livro aberto de
sonetos, quase sem espaço pra sarca-
mos, tristes olhos cativos dos óculos,
beleza incerta, incerteza; Escondida
atrás de poesias lidas quase às lágrimas,
e bom comportamento, uma flor solitária
em seu lamento na janela de uma casa
abandonada, pétalas ardentes no desespero
de tornar à ser cheirada, regada pela
refrescância das atenções, esquecer os
fantasmas dos corações partidos, cujo
os gemidos ainda a assombram em seu
abandono, defeito, bem-feito, insensível
flor sem dono!

http://minhacoreblues.blogspot.com/2010/08/colha-si-mesma.html

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Mar de Rosas - Joe South(versão Rossini Pinto)




Muito linda nesta versão.

Suspiro

Do amor intransponível que tenho me perco no esperar. Esperar porque o dar não é possível. A resposta que me é posta, resigno a aceitar, custo a acreditar. Pois estamos ali expostos as dores da noite, corpos entregues e almas fechadas. Juntos e separados. O silêncio é estadia e necessário. Me refaço a cada entrega e me nutro de uma natureza que lateja, de ser. De amar.
Amo-me como amo a noite, o mar, a solitude, o primeiro raiar queimando a pele, o impossível. Amo o amor impossível. Sou o amor impossível. É um ciclo. Somos um ciclo.
Pela impossibilidade da entrega, não há recebimento, portanto sou intransponível. Sou tanto quanto queria ser. Dou-te o que posso dar-te, limito-me por ser um corpo fechado.
Como pode amar tanto assim? Como pode um corpo fechado abrir-se tanto para o amor impossível?
A temperança. Amar é a forma mais verdadeira de viver. E a verdade dói. Lateja. Viver verdadeiramente é para poucos, poucos amam. Poucos são amantes de si mesmos. E a partir dai não existe o equilibrio. Amar-se é fazer parte da dificil arte de viver, é um passo dado, meia vida vivida.
A temperança acalma o orgulho, cala a cólera, amadurece o impulso. Negocia com a saudade. Amar também é sentir saudade, manter a lembrança afetiva viva. Não somos só presentes. E isto de vez em quando dói, dói porque foi verdade, verdade que agora vive presa por ter sido, e não poder ser. A intensidade do passado se faz presente quando o presente daquele passado se torna infinito. A infinitude do olhar, do gosto, do cheiro, do sentir em cada compasso. O sentir só é profundo quando estamos nus diante da verdade, quando somos seres sem máscaras, sem o escárnio da humanidade, e principalmente, quando mesmo não preparados(porque preparar-se é entender, e entender é impossibilidade) estamos diante da vida, nus. Disponíveis.
Ultrapassarmos a dor, sentí-la e deixar passar. Esperar sendo. Esperar também é viver. Não é a inércia de viver, como muitos pensam, esperar sendo é aprender a amar.
Ser o melhor para si. Amando a si, para assim estar nu diante do maior valor da vida: o amor pleno dado a um outro ser.

Não me deixe só - Vanessa da Matta

"Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor

Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero do amor

Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem."

Ninguém

"É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento."

quinta-feira, 26 de agosto de 2010






“O mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.
Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra. São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é um mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar. Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação à vastidão do mar porque é a exigüidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo, mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem. Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal – a alegria é uma fatalidade – já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda – e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que oposição pode ser um pedido. O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo – espantada de pé, fertilizada. Agora o frio se transforma em frígido. Avançando ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora, já é antiga no ritual. Agora ela está toda igual a si mesma ... E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos são de náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano”.

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.78,79 e 80
"Surpreendeu seu próprio pensamento: então ela planejava de fato um dia ser sua? Pois enganava-se sempre pensando que se tratava de uma espécie estranha de amizade e que assim continuaria sempre, até murchar como uma fruta que não é colhida a tempo e cai apodrecida da árvore para o chão."


Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.68 e 69

quarta-feira, 25 de agosto de 2010


"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "


"O amor permite a ausencia e conversa com a saudade. A paixão não conhece a calma. Não cabe a ela ser metade."

O Silêncio

Tenta-se em vão ler para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo, inventar um programa, frágil ponte que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo possível. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio? Desse silêncio sem lembrança de palavras. Se és morte, como te abençoar?

É um silêncio, Ulisses, que não dorme: é insone: imóvel mas insone e sem fantasmas. E terrível — sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e "diga" alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Como eu, Ulisses? Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Mas nas noites que passei em Berna não havia vento e cada folha estava incrustada no galho das árvores imóveis. Ou se fosse época de cair neve. Que é muda mas deixa rastro — tudo embranquece, as crianças riem brincando com os flocos, os passos rangem e marcam. Isso durante o dia é tão intenso que a noite ainda é povoada. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. O silêncio é a profunda noite secreta do mundo. E não se pode falar do silêncio como se fala da neve: sentiu o silêncio dessas noites? Quem ouviu não diz. Há uma maçonaria do silêncio que consiste em não falar dele e de adorá-lo sem palavras.

Mas este primeiro silêncio, Ulisses, ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.


Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da Terra e da Lua. Então ele, o silêncio, aparece. E o coração bate ao reconhecê-lo: pois ele é o de dentro da gente.


Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta — como arde, Ulisses, por ser chamada e responder; — cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Mas isto os da maçonaria sabem. Quantas horas perdi na escuridão supondo que o silêncio te julga — como esperei em vão ser julgada pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até à indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença.


Até que se descobre, Ulisses — nem a tua indignidade ele quer. Ele é o Silêncio. Ele é o Deus?


Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro da cabeceira cair no chão. Mas — horror — o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio. O que mais se parecia, no domínio do som, com o silêncio, era uma flauta.


Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se nele para o Inferno? Vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio, não para o silêncio astral.


Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora.


Depois nunca mais se esquece, Ulisses. Inútil até fugir para outra cidade. Pois quando menos se espera pode-se reconhecê-lo — de repente. Ao atravessar a rua no meio das buzinas dos carros. Entre uma gargalhada fantasmagórica e outra. Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra se reconhece o Silêncio. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia — ei-lo. E dessa vez ele é fantasma.

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.37,38 e 39

Tell me what we're gonna do now - Joss Stone

Encontro Marcado



Ela_Mas eu estou doente, não posso ir te ver.


Ele_Mas eu não me importo, quero me contaminar de você.

Presente de hoje,

"Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

http://www.akatu.org.br/central/opiniao/2010/passeio-socratico

Frei Betto
Meu amor agora é um só palpitar.
Bate num só compasso.
Fugir não mais.

Dia e noite, sou tu, és eu.
E não há neste mundo,
Supressão do nosso viver.

Somos sons ocultos.
Afetos desatentos.
Desejos ardentes.

A melodia é a mesma, tocada sempre no mesmo horário...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mr. Tambourine Man - Bob Dylan





Uma das perfeições!

Blowin' in the wind - Bob Dylan por Alanis

Ironic - Alanis Morissette





"Well life has a funny way of sneaking up on you
And life has a funny, funny way of helping you out
Helping you out"

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Intragável


Sou fogo temido. Que consome o desejo. E acalanta a alma. O suspiro contente. A dor latente. O passado. O ser livre. A chama incessante.
Estou farta de mim mesma!
De todos os dias me amar intensamente. Este ser de dor efêmera e ávido por sentir.



Em função das noites mal dormidas criei um péssimo hábito de amanhecer com fortes desejos. Antes mesmo de abrir os olhos, quero o sol mais brilhante. O espreguiçar mais demorado. A água gelada. O melhor dos dias.

Leveza. Plenitude. Equilíbrio. Alegria.

Mas eis que a noite chega e o sucumbir devora os maiores prazeres.

Obrigação. Inquietude. Dor.

Renascer

Lança-te a quem te chama.
Enfrenta-te pelo que sentes medo.
Escolha-te feliz.

Diante de tantas feitas, escolha-te.

Não há o que temer.
A incerteza do amanhã nos faz hoje.
Escolha-te pleno.
O que vives é teu ancoradouro.
Pega-te pelo braço e escolha-te.
Escolha-te pleno, feliz, certo da tua incerteza.
Lança tu o egoísmo imperioso!
Orgulha-te de ser.
Corajoso é também quem tenta tentar, orgulha-te de tentar.
Que eu me apassivo.
Há uma linha tênue entre o agora e o para sempre.
É o limite em que sempre permaneci.

A punição dos não atos.
A impossibilidade vestidade de realidade cruel.

Desejos retalhados e adormecidos.
Lágrimas contidas. Alegria comedida.

Felicitar o outro com a própria dor.
Aprender com o amor...

Vida ao destino posto.
Passividade com os passos certos...

Agora felicidade, para sempre esquecimento.

A vida é constituída de erros e acertos, mas temos que ter claro, ela acontece todos os dias.


E tempo é uma ficção, o amanhã não existe.


O amanhã pode nunca chegar, então não podemos economizar amor.


Só o amor é importante, só amar interessa.


O sentido da vida se encontra no amor.

http://wunschelrute.blogspot.com/

domingo, 22 de agosto de 2010




As paredes eram brancas, ofuscavam. As mobílias eram poucas e reservadas. Todas em
sintonia. Cômodos preenchidos. Cortinas a balançar.
O silêncio.
Este lar era seguro e secreto. Guardava em cada pedaço uma história. De amor, conquista, liberdade e caridade. É como se falassem.
Mas só uma pessoa poderia ouvir. E ela sempre parava e escutava, sentia-se quase completa. Talvez pelo momento fosse realmente completa. Desejara muito estar ali.

Via-se em cada bagunçar.

What if - Kate Winslet

Presente de hoje

Animal Farm - George Orwell

“Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.”
George Orwell

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Buone Verita - Laura Pausini





"Quanta volontà
in un mondo così

Buone verità
non finiscono mai."

1° de Julho - Renato Russo



"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor"

Presente de hoje, Gabriel e o Amor

“Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que “nada é para sempre”.”

O Corvo (tradução de Machado de Assis)


"Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."
...
Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.
...
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".
...
No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"
...
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".
...
E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!"
Introdução à Literatura

Morena - Los Hermanos

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As vezes as palavras se afastam da minha mão e se dissipam pelo corpo, busco imediatamente um lápis e um papel, mas não dá tempo...
E elas percorrem das mãos pro corpo e perdem a tradução.
Perco a maior criação humana. Doe-me na alma.
Os sentimentos ficam em movimentos, pois galopam nelas. Poucas são as que se instalam, porém sinto que se alojam fortemente. E pra sempre. Um "eterno enquanto dure". As transitórias passam por estas e lançam uma junção...confusa junção...que logo se poem a ir pra outro canto.
Assim, sou um movimento de palavras dentro de mim. Sentimentos que as vezes afloram, perduram, desejam, sofrem, buscam, que as vezes são e as vezes não são traduzidos.

As palavras saem pelos poros, palpitam o coração, fazem plenitude no meu ser toda vez que sentem sua presença.

A força da união




Coletado de O ser em movimento:
http://oseremmovimento.blogspot.com/2010/08/forca-da-uniao.html

Free - Donavon Frankenreiter


"Free, Free
Free, Free
There's nothing in between
What we are, what we see
There's nothing in between
What we are, what we see, what we are
We are just"

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tango





Paixão. Um dia.

Supondo o errado




Suponhamos que eu seja uma criatura forte, o que não é verdade.
Suponhamos que ao tomar uma resolução eu a mantenha, o que não é verdade.
Suponhamos que eu escreva um dia alguma coisa que desnude um pouco a alma humana, o que não é verdade.
Suponhamos que eu tenha sempre o rosto sério que vislumbro de repente no espelho ao lavar as mãos, o que não é verdade.
Suponhamos que as pessoas que eu amo sejam felizes, o que não é verdade.
Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade. Suponhamos que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, o que não é verdade. Suponhamos que eu esteja sorrindo logo hoje que não é dia de eu sorrir, o que não é verdade.
Suponhamos que entre os meus defeitos haja muitas qualidades, o que não é verdade. Suponhamos que eu nunca minta, o que não é verdade.
Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade.

Clarice Lispector. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: ed. Rocco, 2004. p.42

Viver plenamente

“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

Sol de primavera - Beto Guedes

Mais perguntas que respostas - Leoni

A noite entreabre a porta
Pro sol que já vai entrar
E eu tenho mais perguntas que respostas
A vida me surpreende
E o dia vem me lembrar
Que todo dia é tudo diferente
Do sudoeste vem chuva
E um sentimento de paz
De noite a gente se escuta muito mais
O céu invade a varanda
E eu deixo a alma no escuro
E ainda me espanto
Com o quanto eu deixo de notar

O sol escala as encostas
Enquanto eu tomo o café
E eu tenho mais perguntas que respostas
Tem tanta gente no mundo
Vivendo vidas seguras
Será que só eu me sinto tão confuso
Eu encho a alma de sustos
De vaga-lumes e estrelas
E fico feliz por nada ou quase tudo
Me sinto meio antiquado
Pensando tanto em família
Vivendo cercado de poucos bons amigos
Eu acredito em bondade,
Amor e honestidade
E o que me importa
São mais perguntas que respostas
A noite encosta a porta
O sol desperta a cidade
E eu planto mais perguntas que respostas

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ariana, a mulher.

..."Foi então que compreendi que só em mim havia morte e que tudo estava profundamente vivo
Só então vi as folhas caindo, os rios correndo, os troncos pulsando, as flores se erguendo
E ouvi os gemidos dos galhos tremendo, dos gineceus se abrindo, das borboletas noivas se finando
E tão grande foi a minha dor que angustiosamente abracei a terra como se quisesse fecundá-la
Mas ela me lançou fora como se não houvesse força em mim e como se ela não me desejasse
E eu me vi só, nu e só, e era como se a traição tivesse me envelhecido eras.

Tristemente me brotou da alma o branco nome da Amada e eu murmurei – Ariana!
E sem pensar caminhei trôpego como a visão do Tempo e murmurava – Ariana!
E tudo em mim buscava Ariana e não havia Ariana em nenhuma parte
Mas se Ariana era a floresta, por que não havia de ser Ariana a terra?
Se Ariana era a morte, por que não havia de ser Ariana a vida?
Por que – se tudo era Ariana e só Ariana havia e nada fora de Ariana?

...Desesperado me ergui e bradei: Quem és que te devo procurar em toda a parte e estás em cada uma?
Espírito, carne, vida, sofrimento, serenidade, morte, por que não serias uma?
Por que me persegues e me foges e por que me cegas se me dás uma luz e restas longe?

Assim, coberto de bênçãos, cheguei a uma floresta e me sentei às suas bordas – os regatos cantavam límpidos
Tive o desejo súbito da sombra, da humildade dos galhos e do repouso das folhas secas
E me aprofundei na espessura funda cheia de ruídos e onde o mistério passava sonhando
E foi como se eu tivesse procurado e sido atendido – vi orquídeas que eram camas doces para a fadiga
Vi rosas selvagens cheias de orvalho, de perfume eterno e boas para matar a sede
E vi palmas gigantescas que eram leques para afastar o calor da carne.

Descansei – por um momento senti vertiginosamente o húmus fecundo da terra
A pureza e a ternura da vida nos lírios altivos como falos
A liberdade das lianas prisioneiras, a serenidade das quedas se despenhando.
E mais do que nunca o nome da Amada me veio e eu murmurei o apelo – Eu te amo, Ariana!
E o sono da Amada me desceu aos olhos e eles cerraram a visão de Ariana
E meu coração pôs-se a bater pausadamente doze vezes o sinal cabalístico de Ariana…

Depois um gigantesco relógio se precisou na fixidez do sonho, tomou forma e se situou na minha frente, parado sobre a Meia-Noite
Vi que estava só e que era eu mesmo e reconheci velhos objetos amigos.
Mas passando sobre o rosto a mão gelada senti que chorava as puríssimas lágrimas de Ariana
E que o meu espírito e o meu coração eram para sempre da branca e sereníssima Ariana
No silêncio profundo daquela casa cheia da Montanha em torno".
"Esperou sem pressa pela madrugada. A melhor luz de se viver era na
madrugada, leve tão leve promessa de manhãzinha. Ela sabia disso, já passara inúmeras
vezes por isso. Como para um pintor que escolhe a luz que lhe convém, Lóri preferia para
a descoberta do que se chama viver essas horas tímidas do vago começo do dia. De
madrugada ia ao pequeno terraço e quando tinha sorte era madrugada com lua-cheia.
Tudo isso ela já aprendera através de Ulisses. Antes ela evitara sentir. Agora ainda tinha
porém já com leves incursões pela vida.
Mas da lua ela não tinha receio porque era mais lunar que solar e via de olhos
bem abertos nas madrugadas tão escuras a lua sinistra no céu. Então ela se banhava
toda nos raios lunares, assim como havia os que tomavam banhos de sol. E ficava
profundamente límpida.
Nesta madrugada fresca foi ao terraço e refletindo um pouco chegou à
assustadora certeza de que seus pensamentos eram tão sobrenaturais como uma história
passada depois da morte. Ela simplesmente sentira, de súbito, que pensar não lhe era
natural. Depois chegara à conclusão de que ela não tinha um dia-a-dia mas sim uma
vida-a-vida. E aquela vida que era sua nas madrugadas era sobrenatural com suas
inúmeras luas banhando-a de um prateado líquido tão terrível...Teria
sido esperteza dela avançar no tempo, e imperdoável ser mais sabida que os outros. Por
isso, apesar da curiosidade intensa que tinha pela morte, Lóri esperava.
Amanheceu."

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.34,35
"De manhã escureço,
De dia tardo,
De tarde anoiteço,
De noite ardo."

"Não sou como a abelha saqueadora que vai sugar o mel de uma flor,
e depois de outra flor.
Sou como o negro escaravelho que se
enclausura no seio de uma única rosa e vive nela até que ela feche as pétalas sobre ele;
e abafado neste aperto supremo, morre
entre os braços da flor que elegeu."

-- Roger Martin du Gard, Os Thibault
"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante." Antoine de St. Exupery

"Quando o amor vos fizer sinal, segui-o; ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados. E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos; ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir."-- Khali Gibran

"Nada existe de grandioso sem Paixão"-- Hegel

"É preciso sofrer depois de ter sofrido, e amar, e mais amar, depois de ter amado"-- Guimarães Rosa

"Amo a liberdade, por isso deixo livre tudo que tenho...Se voltar é porque conquistei, senão é porque nunca as possuí!"



Amar é reconhecer a falta.


Reconhecer a falta é assumir a necessidade.


Amar requer coragem exatamente por isso, pela coragem de se reconhecer frágil.


A força consiste na coragem da fragilidade, no movimento de entrega, na necessidade do outro.


Tudo isso implica o risco de sofrer. O risco da perda do objeto amado.


Forte é aquele que para amar assumi o risco de sofrer.


Mais forte ainda é aquele que sofrendo deseja amar outra vez, e mais outra, e mais outra.


Amar muito, intensamente, e se tudo desacontecer sofrer muito, intensamente.


É preciso coragem, muita coragem é o que é preciso.


Amar é lindo, mesmo que triste.


Amar é lindo, mesmo que doa.


Amar é vida, mesmo que um dia morra.








Ai.ai.ai.ai.

Dizem por aí




"Não vim aqui para dizer que não posso viver sem você.
Eu posso viver sem você.
Eu só não quero".

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Presente de hoje, O laço e o abraço

Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

domingo, 15 de agosto de 2010

Presente de hoje,

Fardo

Sinto-me cansada do que todos os dias recebo junto com o sol,
E que com a noite aconteço.
Corta-me os prazeres desta vida e o belo é pouco vivido.
As lágrimas de cansaço se confundem com o pesar,
E permito que a tristeza se aproxime.

A dor pulsa em cada célula,
A do não poder, do não ter, do não ser.
Da insuficiência de me doar,
E de calada querer.

Raizes de simplicidade e falta de cumplicidade com o que tenho.
A satisfação do longe alcançado,
O ido torna-se caminhada, o ir entrada.

O luto, a luta.
Um sonho. A labuta. A vida.

Os prazeres desta vida imagens do livro lido, do filme visto, e do eu imaginado.
Há pouco a se oferecer, apenas muito do pouco amor que restou...


O que os meus olhos veem meu coração não quer acreditar...

À Portuguesa

Há tanta coisa que eu gostaria de dizer-lhe. Como tua raiva me parece insólita e mal direcionada.
Durante dois anos segui um código de respeito que vi outra pessoa trair. Hoje, pela quebra desse código, vejo a outra pessoa ser perdoada e divinificada com a única intenção de me humilhar.
Como jogas esses fatos tortos em minha face, tenho vontade de jogar-lhe minha verdade. A forma como tudo aconteceu ao meu ver.
Tua raiva é uma válvula de escape para justificar o teu perdão. Eu sou o laranja de uma relação que desconheço e que me parece tão fantasiosa.
A perfeição é cantarolada com se fosse real e os pecados são jogados pra debaixo do tapete como se não tivessem volume. Quando fogem rapidamente para o centro da sala, parece um terremoto, mas no fim, tudo está de pé.
Talvez seja uma estrutura frágil, que está sendo cada vez mais forçada para partir repentinamente amanhã. Talvez, cada terremoto crie uma ruptura gigantesca na casca e fortaleça, ainda que contraditoriamente, o centro da estrutura. Mas eu nada tenho a ver com isso.
Eu nem mesmo olho para a estrutura, ela que me amarra e puxa, ela que grita nesse céu lilás.

http://coracaodeserpente.blogspot.com/

Tenho desejos claros e definidos
e tenho você perdido
Entre o que sou e o que fui.
Tenho teu cheiro em minhas mãos.
Tenho teu nome guardado
E teu olhar pendurado
na borda da cabeceira
com mil beijos
e um boa noite!

Anjo - Daniela Mercury




"Vou secar qualquer lágrima
Que ousar cair
Vou desviar todo mal do seu pensamento"

sábado, 14 de agosto de 2010



O que eu não compreendo tira-me um passo dos dois já caminhados.

Com sol, sempre.

Buscamos o impossível possível
Estranhamos o que está posto.
A alma pede vida.
Sossego. Amor. Liberdade.
Há mais consciencia que esperança.

Nos paradigmas formados há mutação do ser.
Mutilação de dores, perdas, mesquinhez.
O espírito então resplandece.
Sossego. Amor. Liberdade.
Passam a ser vitais.

Isto tudo porque a labuta diária engrandece o coração sábio do sentir.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A pedra mais alta - O Teatro Mágico


"Me resolvi por subir na pedra mais alta
Pra te enxergar sorrindo da pedra mais alta
Contemplar teu ar, teu movimento, teu canto"
*Imagem do filme Orgulho e Preconceito

O anjo mais velho - O Teatro Mágico

O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

... - O Teatro Mágico

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Há uma felicidade esplêndida perdida na imensidão do meu ser.

Hold me tight - The Beatles


"It feels alright now
Hold me tight
Tell me I'm the only one
And then I might
Never be the lonely one

So hold me tight
Tonight, tonight
It's you,
You, you ,you, oo

Don't know what it means to hold you tight
Being here alone tonight with you"

Yellow Submarine - The Beatles


- Às vezes, quando me levanto pela manhã, eu me sinto muito peculiar. Eu sinto que acabei de morder um gato! Eu sinto como se eu não morder um gato antes do pôr do sol, eu vou ficar louco! Mas então eu só tomar uma respiração profunda e esquecê-la. Isso é o que é conhecido como a maturidade real.

Snoopy

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."

Dormes


Dormes... Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?

São meus versos! Palpita a minha vida
Neles, falenas que a saudade eleva
De meu seio, e que vão, rompendo a treva,
Encher teus sonhos, pomba adormecida!

Dormes, com os seios nus, no travesseiro
Solto o cabelo negro... e ei-los, correndo,
Doudejantes, sutis, teu corpo inteiro

Beijam-te a boca tépida e macia,
Sobem, descem, teu hálito sorvendo
Por que surge tão cedo a luz do dia?!
*MULHER DORMINDO - Pintura Nicéas Romeo Zanchett- 1985

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
"O amor perfeito é realmente raro, pois para ser um amante é necessário que você tenha continuamente a sutileza de um sábio, a flexibilidade de uma criança, a sensibilidade de um artista, a compreensão de um filósofo, a aceitação de um santo, a tolerância de um estudioso e a força de um bravo."

Gratidão - Capital Inicial





Dinho Ouro Preto / Alvin L. / Yves Passarell

"Por ter de relance se visto de corpo inteiro ao espelho, pensou que a protecção também seria não ser mais um corpo único: ser um único corpo dava-lhe, como agora, a impressão de que fora cortada de si própria. Ter um corpo único circundado pelo isolamento, tornava tão delimitado esse corpo, sentiu ela, que então se amedrontava de ser uma só, olhou-se avidamente de perto no espelho e se disse deslumbrada: como sou misteriosa, sou tão delicada e forte, e a curva dos lábios manteve a inocência.Pareceu-lhe então, meditativa, que não havia homem ou mulher que por acaso não se tivesse olhado ao espelho e não se surpreendesse consigo próprio. Por uma fracção de segundo a pessoa se via como um objecto a ser olhado, o que poderiam chamar de narcisismo mas, já influenciada por Ulisses, ela chamaria de: gosto de ser.
Encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não imaginei: eu existo. "


Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.19


"Depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois?"

Mar e Lua - Chico Buarque

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Trem das cores - Caetano Veloso



"Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
-Em 1987 meu pai tinha um carro azul
-Mas o que isso tem a ver com amor?
-Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor."
"Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!"

domingo, 8 de agosto de 2010

“De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo – em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.32
“Ulisses ouvira de testa franzida . E depois dissera:

E então você não quis mais nada disso. E parou com a possibilidade de dor, o que nunca se faz impunemente. Apenas parou e nada encontrou além disso. Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. Não esta sua voz baixa e doce. E eu não choro, se for preciso um dia eu grito. Lóri. Estou em plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que você, mas é vitória. Eu já poderia ter você com o meu corpo e a minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia.
Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e segurança por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregues a nós mesmos pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “ pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia. Mas eu escapei disso, Lóri, escapei com a ferocidade com que se escapa da peste, Lóri, e esperarei até você também estar mais pronta.”

Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.47-48

A elegância do comportamento

A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO

Henri Toulosse Lautrec (1864-1901) –pintor francês



Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas,quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam.E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante...

Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante....Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante... Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: - Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Adaptação de texto extraído do Livro: EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO Henri Toulosse Lautrec

Sua praia certamente teve mais colorido que a minha.

sábado, 7 de agosto de 2010



"Ninguém mais morto do que o esquecido".

Gregório Marañón

" Fiquei ali parado, procurando alguma coisa que não estava nem esteve ou estaria jamais ali."
"Para mim, atualmente, companheirismo e lealdade são meio sinônimos de felicidade. Meus amigos são muito fortes e muito profundos, são amigos de fé, para quem eu posso telefonar às cinco da manhã e dizer: olha, estou querendo me matar, o que eu faço? Eles me dão liberdade para isso, não tenho relações rápidas, quer dizer, tenho porque todo mundo tem, mas procuro sempre aprofundar. E isso é felicidade, você poder contar com os outros, se sentir cuidado, protegido. Dei esse exemplo meio barra pesada de me matar....esquece, posso ligar para ver o nascer do sol no Ibirapuera às cinco da manhã. Já fiz isso, inclusive."

"Tenho dias lindos, mesmo quietinhos"


"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim"
"O que tem me mantido vivo hoje é a ilusão ou a esperança dessa coisa, "esse lugar confuso", o Amor um dia. E de repente te proíbem isso. Eu tenho me sentido muito mal vendo minha capacidade de amar sendo destroçada, proibida, impedida"

"Desistir não é nobre. E arduamente, não desistimos."
"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."

Distant Dreamer - Duffy


"I'm a dreamer
A distant dreamer
Dreaming for hope
I'm thinking about
All the things
I'd like to do
In my life"

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E viva Adoniran Barbosa!



Sinto que tenho duas idades. No momento, 3 e 30, seguidas.

- Por que? Mas por que?

- Sou segura de mim até quando procuro um colo.


- Sabe, Snoopy, eu tô desenvolvendo uma nova Filosofia: Eu só preciso suportar um dia por vez.

Minha incapacidade está em não ter limites. A sua é em não conseguir me dá-los.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


A chama do meu desejo transborda pelos cabelos.












Sua primavera só acontece noutro jardim.

Canção pra você viver mais






"Faz um tempo eu quis,fazer uma canção pra você viver mais"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Indiferença


Na demasia de uma loucura sem freio, relutei por um sossego na alma.
Mesmo marionete do teu ser, refém de uma linha, há uma verdade a ser dita.
Esperei, agradeci e não anoiteci.

Olhei pra ti e pensei "algo diz pra eu ir embora, não entendo teus sinais".
Mas a teimosia do desejo da verdade supriu a dúvida.
E a gratidão ficou.

A resposta poderia ser dada neste exato momento.
Porém o passivo sequestrador se recusa.
E várias certezas são criadas.

Uma delas é que você existe pra que eu pratique o perdão.


Minha capacidade está em observar. Subestime-a e perderá minha afeição.

"Meu gosto é bem simples, gosto do melhor de tudo"

"Eu não vou desnudar a minh'alma aos olhos superficiais e intrometidos do mundo. Meu coração jamais se deitará debaixo do microscópio de tais olhos." O Retrato de Dorian Gray

"As coisas do coração são muito complicadas, voltarei á filosofia e estudarei metafísica"O Rouxinol e a Rosa

"O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação."

"Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal."

"Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo."

"O casamento é o fim do romance e o começo da história."

"Amar é ultrapassarmo-nos."