sexta-feira, 28 de maio de 2010

autoeu

Estou composta de sonhos incertos.Arranhões na alma. Cansaço no coração. Olhar consternado.
Certeza do que não quero. Quietude.
Estou na pedra mais alta procurando "Os beijos merecidos da verdade", se pulo ou não. Solitude.
Não ao desejo de um amor que não é meu.
Não ao amor de um desejo só meu.
Não a estupidez humana.
Sim aos atos. Não aos boatos.
Sim ao interesse interessante. Não ao interesseiro.
Compro sorrisos, amores, vidas, pulsos, paixões, trabalhos, lembranças, abraços, alegrias, tristezas, suores, sonhos, partilhas, manhãs, noites, madrugadas. Só tenho a pagar com lealdade, verdade e amor.

Me refaço quantas vezes for preciso. Começo quantas vezes for necessário.
Estou chegando no caroço. Comendo minha própria placenta. Dando bom dia para mim mesma.
Pois entregar-se é importante e, mais ainda, aprender a ser fortaleza sem nenhuma reciprocidade.
Ser também eficiente e ser reconhecida e, mais ainda, mostrar felicidade por mais que ela exista silenciosamente.
Viver e, mais ainda, ser atuante num mundo onde a vida alheia é mais importante que o próprio umbigo, o próprio teto, o próprio amor, o próprio trabalho.

Mas se viver for só isto, me alheio deste mundo. E dele me dispo e me despeço agora.

Só sinto gosto de vinho, cheiro de incenso e escuto "And it's too late baby, now it's too late Though we really did try to make it Something inside has died and I can't hideAnd I just can't fake it, oh no no no no", simplesmente porque me derreto ao ver A Casa do Lago pela enésima vez.
Das três palavras que podiam ser vividas foi proferida uma: Adeus.


Uma porque possuía amor demais.
Outra porque tinha medo do caos.



"My mind... my mind...Until I find somebody new"

Assim,

O telefone toca, é uma ligação que já não lhe interessa mais.
O convite chega, tarde demasiadamente.
Havia um melhor. Tarde é a desculpa.

O sorriso lhe é lançado, sem alcance.
O olhar lhe é "Qual é?", tarde demasiadamente.
Havia uma certeza. Tarde é a desculpa.

Tarde é a desculpa de que havia melhor certeza, a de que não lhe interessa mais.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Saudades elefantes...

Eu tenho saudades que são saudades de elefantes
Essas saudades são bem grandes, gordas, cinzas, empacadas.
Chegam e teimam em não partir.
Algumas vezes, meus elefantes, vem sozinhos, noutras chegam aos montes,
uma "elefantéia de saudades".
Entram gordos, arrombando portas, sentam bem no meio da casa.
Gosto dos meus elefantes.
Não reclamam, não gritam, nem desesperam, apenas surgem e ocupam um espaço imenso.
Ficam lá, tranquilos, denunciando faltas, apontando ausências com suas trombas esquisitas.
O única coisa possível a fazer é dizer aos donos dos meus elefantes
"Tenho uma saudade elefante de você".
Então eles partem, para outro dia retornar
Lembram sempre, meus gordinhos, que afeto não foi feito para economizar.
Que amor elefante a gente tem que comunicar.
Minhas saudades elefantes tem o tamanho dos meus amores.
Meus elefantes são imensos!
É que não sei amar pequenininho.

segunda-feira, 24 de maio de 2010


Precisamos criar laços e não nós.
Nós deixam marcas.
Laços deixam boas recordações.

Presente de hoje,

"Em sua primeira paixão, a mulher ama o ser amado. Em todas as outras, tudo que ama é o amor."

sábado, 22 de maio de 2010

Noel Rosa

A música "conversa de botequim" foi feita por um fato que ocorreu com Noel Rosa em um barzinho em que frequentava, onde tinha um garçom que quando ele chegava ia limpar a mesa (um modo de dizer na época que o cliente não era bem vindo). Por Alan Jhonson

A bobeira.

"Seu cérebro está aleijado.
Nada. É isso. Um dia, você descobre e está salvo. Nada. Viver é só esse mistério mesmo. Não tente respirar mais rápido que o mistério pra tentar chegar antes dele. Respire passos pra trás da vida e isso é só o que dá pra fazer. Ela ganha e ponto final. Ela ganha, mas a gente se diverte pacas com isso. É tipo estar numa festa linda, você conhece alguém pra amar, você pula meio de pileque na piscina, você nunca se esquece. Mas a festa era de outra pessoa que, gentilmente, te convidou. Não tente roubar sua casa, sua comemoração grandiosa. Apenas bata palmas na hora do parabéns e aceite o convite da vida. Não dá pra entender nada. Mas é isso. Temos um nariz, somos alaranjados. Com calma, que agora consigo ter (por causa do remédio, sim, mas também porque precisei ter medo de supermercado pra não ter medo de super qualquer coisa). Com calma, você repara. E não é ruim. Com calma, não se vê lá fora o assustador borrado da velocidade. Se vê como é. E não é tão feio. E até o feio, tem seu valor. É só isso. A vida. Com calma. Mil quadras do carro e três mil quadras de casa. Só a vida. Uma linda e magnífica bobeira."

http://tatibernardi.com.br/textos.php?id=380&y=2010&tit=A-bobeira

Anunciação

Na bruma leve das paixões
Que vêm de dentro
Tu vens chegando
Prá brincar no meu quintal
No teu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando
Nossas roupas no varal...


Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais...

A voz do anjo
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais...


Alceu Valença

The very best of Edith Piaf



Entre lágrimas e suspiros,

lembranças e saudades,

dor e alegria,

La Vien En Rose, Hymme a L'amour e Non, Je Ne Regrette rien,

Milord e La Marseillaise (Hino da França).

Assim é a coleção que adoro escutar: The Very Best of Edith Piaf





O filme também é uma ótima opção, apesar de longo e triste.


Imagem: Emil Cadoo



"O vento da vida pôs-te ali.

A princípio não te vi:não soube

que ias comigo,

até que as tuas raízes

atravessaram o meu peito,

se uniram aos fios do meu sangue,

falaram pela minha boca,

floresceram comigo."








Imagem: Álvaro Lobato de Faria - A Florescer

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Escolha.

O melhor caminho ainda é aquele em que sentimos prazer.
Por mais inseguro, incerto, injusto.
Não sabemos se amanhã estaremos nele.
Não sabemos onde chegaremos.
E por maior que seja a entrega nas passadas não o sentimos...
Mas se torna um caminho longo e cansativo,sem valores.
E o prazer já não é mais o motivo da caminhada.
Talvez a aventura, o desconhecido, o comodismo.

Corrigindo, o melhor caminho ainda é aquele que sentimos prazer e admiração.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Presente do dia,

"Ergue-te e ergue-te novamente...
até que os cordeiros tornem-se leões."

Robin Hood
"Era outra coisa, qualquer outra coisa."

Andréa Beheregaray

Penso que serei gente,um dia...

Imagino que quando este dia chegar terei mais malícia ao olhar para meu dia.
Não a malícia como maldade,mas sim a necessária para estar neste mundo.
Este mundo que é cheio de doenças exalando pelos pensamentos, poros, atos e afetos.
Um mundo no qual não pertenço.
Se me nego à esta fuga?
Nesta não temo, não fujo, me entrego certamente.
Pertenço a qual senso?
A nada pertenço. A ninguem. Nem a mim,não mais...
Títulos?
Não, não me pertenço para deixar-te pertencer-me ao teu prazer.

O mundo não merece minha dor.
E você, o meu amor.
E, mesmo assim, peço licença para viver.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Presente de hoje,

Dentro do mar tem rio

"Eu sou o solitário e nunca minto
Rasguei toda a vaidade tira a tira
E caminho sem medo e sem mentira
À luz crepuscular do meu instinto”
Sophia Breyner em Catilina

E assim inicia o espetáculo da Deusa:
Dentro do mar tem rio - Maria Bethania.
“ATRAVÉS DO MEU CORAÇÃO PASSOU UM BARCO QUE NÃO PÁRA DE SEGUIR SEM MIM O SEU CAMINHO”


Maria Bethania

terça-feira, 18 de maio de 2010

Guest

Todo anoitecer ele chega, sorrateiro.
Seja no luar, seja no calor do sono,
Seja no olhar vendo o amanhecer...

Sussurros, vestígios, regozijos.
O calor do sono ressuda,
O olhar pela janela embaça...

Sorrateiro ele fica,
Atormentador ele se vai...

E assim os clarões despontam e as palavras findam.

Passagem das horas

Trago dentro do meu coraçao
Como num cofre que se não pode fechar de cheio
Todos os lugares onde estive
Todos os portos a que cheguei
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias
Ou de tombadilhos sonhando
E tudo isso que é tanto é pouco para o que eu quero

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tabacaria - trecho

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E assim começa.

Joana estava a espera de seu ônibus e como faz todas as noites,lendo.
Um calor insuportável.Uma fila gigante.E fome.
Mas nada tirou sua concentração,exceto a chegada do que lhe levaria para seu grande encontro.
Fechou delicadamente seu livro e fez parte da confusão para adentrar o ônibus, quando de repente seu deu conta de um menino, na aurora de seus oito anos, deliciando um saboroso salgado com cobertura de ketchup.
O que ele mais queria foi ao chão com uma grande velocidade,pois uma bolsa acertou em cheio aquele salgado. E que não era a de Joana.
O menino fez um gesto com os braços e certamente se perguntou "E agora?".
Ela sentiu uma enorme vontade de mudar sua rota e tornar aquele momento bom de novo.
Mas o viu não exitando em esperar uma resposta. Ele tratou logo de pegar seu salgado e limpá-lo. E tornou a comê-lo,quase que com a mesma vontade. Porém,olhou para Joana e a recriminou injustamente por ter derrubado seu salgado.
Joana se sentiu um pouco ofendida, pois até pensou em comprar um novo, mesmo não sendo ela a culpada!

Mas parou e pensou:
- Assim é a vida. Acabam com nossa maneira de sentirmos prazer e o que temos que fazer é lavar o rosto e dar continuidade ao que chamamos de vida. E o pior, as vezes somos julgados erroneamente por a verdade não ser posta para as partes da mesma história.

Hoje eu quero ser cor.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

D e s apego

"Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer."

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Remorso

Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Carla Bruni

Voz suave diante de um coração cansado por hoje.


E assim termino a noite com uma de minhas preferências: Carla Bruni.

No album Quelqu'un M'a Dit, fora a própria, temos belas músicas como Tout le monde, La noyée e Le Ciel Dans Une Chambre.




Já no Comme si de rien n'était, tem as apaixonantes L'antilope e La possibilité d'une île.É um album mais "feliz" que seu primeiro.







sábado, 8 de maio de 2010

Fino Coletivo

"A verdade do caminho
Você pode seguir
É difícil compreensão
Pra quem samba na corda bamba
E assim todos aplaudiram

Tudo que ele fez
Foi mostrar
Que esperar não vale nada
Fé não se avalia
E assim se fez a nova onda"

Na maior alegria - Fino Coletivo

Louca

Uma vez, no recreio, comendo um Bis derretido, pensei isso, pela primeira vez: e se eu ficasse louca?Vi minhas amigas trocando papéis de cartas, vi uns meninos correndo de testa suada, vi uma professora caminhar como alguém que pensava em alguém que ela encontraria no final do dia, vi tudo isso como se não pudesse ter, ver, ser. E seu eu ficasse louca. Que triste para meus pais, que triste para a carteira vazia da escola, que triste para os livros plastificados com a etiqueta que dizia que era eu. Uma estudante, uma garotinha, com família, amigos, presilhas de cabelo, camisas branca PP com um brasão que trazia um livro e um fogo. Se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? Pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? E se eu ficasse louca? Quem iria me ver babar num canto de um hospital? Existe louco em casa? Mãe ama os loucos? Louco tem amigo? Louco tem livro plastificado? Louco começa e nÍ o para mais até acabar? Louco uma vez, louca pra sempre? Converse. Respire. Pense em garotos. Pense em xampus. Vamos. Não fique louca. Mude de assunto. Pense na menina mais bonita do mundo e odeie. Dê nome pra loucura que ela deixa de ser. Sinta dor com nome que assusta menos. Caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. Desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. Faça o papel do Bis virar um barquinho. Isso. Conte uma piada. Se os outros rirem bastante. Se a sua estranheza puder ser amada. Qualquer coisa menos loucura. Pense naquela música da rádio. Não, você não está triste. Uma fofoca e pessoas em volta. Vá até o banheiro retocar o batom da moranguinho. O professor mais ou menos bonito, por ele. Os outros. Olhe. Os outros. Vamos. Que data mesmo? Da guerra. Que data? Qualquer coisa. Menos louca. O hino. Sujou um pouquinho da meia. Limpinha. Dê nome aos problemas. Problemas com nomes são problemas e não loucuras. Sempre evitando que ela saia. Sempre segurando. Não caia dura no meio do mundo. Não se chacoalhe no meio do pátio. Não vomite só porque sei lá o que é isso impossível de digerir e nem quero saber. Não abrace sem fim porque é preciso sentir o vento com o peito sozinho. Terrível mas tem banho quente pra distrair. Não espanque, não soque, não chore sangue, não arranque a língua, não grite, não acabe. Siga. Sorria. Mais uma prova. Mais uma festa. Mais um garoto. Sempre um pavor escondido mas nem era nada disso. Sempre uma tristeza abafada mas nem era nada disso. Sempre uma alegria exagerada que ninguém acolhe e o silêncio depois, fazendo curativos na pureza criando cascas. Um dia você será. O quê? Normal. Um dia você será. Normal. Um dia. Enquanto isso, se distraia como a professora que ama, as crianças que trocam papéis de cartas, os garotos que correm. Eles estão se distraindo também e pensando “olha, uma menina comendo Bis”.

Tati Bernardi

HOME PROJECT

http://www.youtube.com/watch?v=jqxENMKaeCU

Novos Tempos

Por Oswaldo Montenegro

Eu blogo
Tu orkutas
Ele telefona
Nós passamos e-mails
Vos fazeis sites
Eles internetam
E a gente não se encontra mais

Demasia.

Não peço licença,mas chego de mansinho.
Não peço permissão pra viver,mas vivo.
Não vejo graça em tudo, mas rio de vez em quando.

Não minto,não finjo,não fujo.
Não traio nem a ti,nem a mim.

Sou minha própria amargura.
Tenho o âmago límpido.
Quando quero,quero.
Quando não quero,provo que não quero.
Te magoei, pérfido amor?

Há mais compaixão que egoísmo.
Há mais amor que orgulho.
Há mais pudor que vida.

Parte!
Passividade?Dor? Pouco amor?
Amor em demasia?
Amor próprio.
Amor a tua felicidade.

Vive o que tens ao teu lado.
Sorriso,cor,lágrima, o que é teu de fato.
Meu amor nunca foi,nunca é,nunca será dirigido a ti.

Sou mistério desaquinhoado.


06.05.2010
"Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã."

Gandhi
"Como um pássaro cantando na chuva, deixe memórias agradáveis sobreviverem em tempos de tristeza."

Robert Louis Stevenson
"A confiança do ingênuo é a arma mais útil do mentiroso"

Stephen King

Fóbico

A boca pede, os olhos se escondem
O Força toda do corpo no sim
Razão? Medo? Amor? Fraqueza?
Sentir o não sentir, querer o não querer.

Soluço constante na alma, passeio na pele
Sente o vazio e tenta encher mais e mais.
Mas ainda não vê o caminho adiante
O que não volta, o que já está a frente
O jeito lúdico na loucura.

A lucidez da dor,do não ter,do não mais
O âmago mais presunçoso.
Leva com destreza a tristeza

Vive o afago imortal
O calor do corpo de um coração frio
Sente o que foi almejado e latente.

Longa lida, velha busca
Sentimentos inertes
É o que se pede, é o que se dá.

G2

Improviso

A vida é uma peça de teatro que eu ainda não aprendi a me maquiar e subir no palco.




03.05.2010


"Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores."

Temporada das flores - Leoni

Desejo.


Meu corpo já não fala nada.
Só sente o cheiro daquele abraço.
Do quão protetor foi.
Meu eu calou-se e deixou ser forte e fraco.
Sincero e mentiroso.
Aquela fraqueza era só pra te manter envolvido numa moldura de incertezas.

Era a chave para uma porta perdida.
Chave que caiu num palheiro de medos.
Moldura que criou forma e secou.
E o abraço se tornou meu maior presente de certezas.

A segurança do meu dia feliz.
O cheiro com que adormeço todas as noites


03.05.2010

Absurdo.

Quando parou teus olhos diante dos meus, todo o meu mundo se resumiu a um desejo contido, adormecido, tranquilo, não revelado.

Mas os meus olhos não são mentirosos, apenas sabem o que eles podem evitar.

Basta a memória lembrar-te o tempo todo e fazer confusão num coração que só quer amar.


21.01.2010

Arquimedes

Sobre o que está posto espelho o corpo.
Crio o salto, esvazio o medo
*Sobre a cabeça aviões...

A nova vértice que inclina ao encontro do novo sol
A nova lua se abre e mostra a face plena
O sol a graceja, mas não a invade.
Espera palavra certa para o despertar
Espera a clareza do novo momento
Revela o êxtase.

Insolente? sedutor? intrigante?
Questionador?
Queredor de um mistério sem prumo?
Inquieta o respirar para chamar
Inquieta o desejo translúcido
Revela o deleite.

E segue o passo o dia e a noite
Esperando o movimento, o calafrio, olhar
Um ponto de partida para pulsar.

Um sorriso firme para o cantar
E os vultos inertes tomam a dança
Silenciosa e louca por tanto esperar.

A alavanca para este desejo se consumar
E o mundo se acalmar
E pairar sobre o gozo da existencia.
Tudo está a um passo, um contato um gesto
O ponto que começa e termina
A cura da entrega permitida.

Impertinente? Pérfido? Intermitente?
Eureka! Eis que a verdade não pode ser vivida por inteira
E não é de mentira que se passam os dias
É de espera.

G2

*trecho da música: tropicália (Caetano Veloso)

Doce instante.

Sentia sua dança com meu olhar.
Todo o mistério transposto num movimento.
Foi um encontro de encanto e desejo.
Desde então me pego bailando você em meus pensamentos.

Sensualidade,suavidade e um palpitar contente!




30.04.2010

Desabafo desses de madrugada

"Anita abriu o livro sobre a mesa para ler a dedicatória: Ao homem que me faz acreditar em príncipe encantado. Nunca pensou que palavras tão doces e românticas, mesmo que piegas para tantos, lhe causassem tamanha dor.

Nunca, como mulher, Anita sentira-se tão mal. Como ser humano já se sentira pior, mas como mulher, sentia-se suja, criminosa. Ouvira o desejo de um homem comprometido, beijara lábios que pertenciam a outra. Mas parte da dor daquela poetiza era saber que alguém vivia a plena alegria de uma ilusão.

Será que se pode dizer que se ama alguém que tão pouco se conhece? Será que é verdadeiro um relacionamento baseado em mentiras?

Com os meses de convivência posteriores a noite em que tudo aconteceu, Anita descobriu que ele amava de fato a remetente daquela dedicatória, ou pelo menos, alimentava tão fielmente aquela ilusão que qualquer um que ignorasse o que Anita sabia, acreditaria no romantismo daquele relacionamento.

Eles trocavam senhas e confidências como quem confia, mas tinham segredos sagrados. Palavras duras e brigas contínuas. Anita nunca acreditou em brigas, sempre achou que brigas era um sintoma de uma relacionamento que iria falir.

Às vezes, a escritora perguntava-se se a enganada não era ela, se na verdade, a Remetente não sabia de tudo. Sabia da música que tocara, das palavras sussurradas, das situações descascadas.

E por algum motivo, Anita concluiu que não trocaria nenhum dos seus relacionamentos complicados e carentes de definições, regras e limites, por aquela ilusão, por mais bela que ela fosse. Anita amava a idéia da confiabilidade e mesmo sabendo que a Remetente tinha esse sentimento, Anita também sabia que essa não era a verdade e que bastava um passo em falso para que tudo desmoronasse e haveria muita dor.

Eis uma informação valiosa sobre a famosa escritora, ela era uma covarde. Não enfrentou esse desejo antes por medo de se apaixonar, não lutaria por ele por outros motivos, mas ainda sim, sempre foi muito mais covardia que qualquer outra coisa.

E Anita temia o dia que encararia a mulher que ajudara a trair, porque neste dia a trairia novamente, pois se calaria diante de um crime e se tornaria cúmplice dele. Restava a ela fingir que eram somente boas intenções".

Trazedor de boas novas


Sinto estilhaço cortante passando por dentro de mim como um trem desgovernado que não sabe onde quer chegar. Te vejo neste trem. Olhos perdidos a procura do que não terás mais.

Boca faminta a que nada sacia. Toque que não sentes. Vejo tudo o que perdestes e que deixastes de ter. Foi embora o sorriso, a expectativa,a vida. Há apenas uma existência que vaga dentro de um ser que quer explodir. Explosão de emoção. Cai um temporal lá fora. Serão os céus se confundindo com meus olhos? Serão os trovões extravasando o que aqui está preso? Pesadelo se mistura com realidade. Há um grito. Coração pulsa. E, de repente, vejo que o pesadelo se fez passado. Que o importuno foi. E o que é agora me conforta, me fortalece. Porque o é é você sussurando ao meu ouvido, segurando minha mão e dando em atos a certeza do abraço que sempre terei.
26.04.2010

Novena.

Eis que surge entre os cacos do meu dia.
O cantar sincero dos seus dias.
A leveza dos seus pensamentos.
A brandura de seu sorriso.
O olhar cheio de primicias.
Faço suas as minhas preces.
Faço teu o meu sorriso.
Peço a clemência Divina.
Da aurora da minha vida.

Eis que surge alegria no meu amanhecer.
Sonhar no que foi penumbra.
Paixão no meu caminhar.
Certeza no pulsar.
Aos pés do inesperado
Sinto o calor dos braços
Afagados no colo da noite branca
Selando meu caminho.

Tudo ao meu redor te encontra
Toda folia dos meus atos
Toda magia do seu corpo
Tudo.

G2

Tormenta

Quero água.
Muita água.
Água pra matar a sede.
Água pra acalmar.
Água pra banhar.
E água pra me levar bem longe daqui.

Água com gosto doce de beijo
Água com cheiro forte de vida
"Água de beber" como diria o poetinha
Águas de março ou àgua minha

Água ardente.Com cor, sem bolor.
Água cristalina. Com delicadeza,sem frieza
.Água corrente. Com som, sem maçom.
Águas de março ou água minha

Percorre os caminhos do meu coração
Deságua na minha alma
Abre braços de dor, de amor
Espalha-se em plantações de sonhos criados por mim
Águas de março ou água minha

Componha este corpo feito de ti, pra ti
Faça tormenta de paixão dentro de mim
Mude este curso, aumente este fluxo
Torne-se desejo, prazer, glória e plenitude
Águas de março ou água minha.

G2

Essa mina, Carolina, é de abalar!

Que me perdoem as minhas maravilhas Ms: Maria Rita,Maria Bethania,Marisa Monte,Maria Gadu até a da Mata, mas desde ontem a vez e a voz foi dada à Ana Carolina. O show foi explendido, com exceção do tempo pra ela entrar no palco e o pouco que ficou nele. Sou suspeita porque gosto das letras e da voz dela. Toda música era motivo de euforia.

http://www.youtube.com/watch?v=rE87mVwtHnw

"Vejo que a vida me prestou esse favor Me fez sempre pronta pra viver um novo amor Um novo amor...Porque eu sou feita pro amor Da cabeça aos pés E não faço outra coisa Do que me doar...E subo bem alto Pra gritar que é amor Eu vou de escada Pra elevar a dor...Eu tranco a porta Pra todas as mentiras"

Ser feliz ou ter razão?


Foi como um estalo quando ouvi esta pergunta. O contexto dela
também.

Pessoas dão desculpas e culpa demais as outras.

Bem, mas ser feliz não é racional? Acho que ser feliz é muito mais racional que sentimental. Irracionalmente viver sem ter que entender tudo é muito mais feliz que sentir com sentido.

Mas sentir com sentido não é racionalizar as emoções?

Sentir por sentir é tão vago.

Mas ter consciencia do que se sente é tão deep, é ser tão sentimental! E tão doloroso.

Para mim funciona como Clarice: "Não, antes o sofrimento legítimo que o prazer forçado".

Ter razão é muito mais feliz que ter profundidade no sentir. Ser feliz é ser razão.

E isto me lembra o quanto já fui feliz. O quanto não precisava de motivos, de busca de sentimentos.

Hoje sou completamente malabarista na corda da alegria.

As vezes, passo depressa com medo de cair, as vezes passo devagar demais, desfrutando, porque sei que tão breve será o término da passagem, seja pela queda, seja pela etapa findada.
27.03.2010.

Meia Lua

Ao compasso relapso dos meus batimentos, faço intenso meu caminho
Ando cabisbaixo, sentindo tudo ao redor.
A força é tamanha, assim como a esperança.
Mas há algo que aqui implode e a alegria não é vista.

São os seus olhos que me rodeam.
É a sua mão que me quebra.
É o seu pensar que me desnorteia
É o amor que não vivo em vida.
São muitas as sombras desta caminhada.
É com sol ardente que meus olhos latejam.

Não há proteção.
Há desejo e força.
Há medo e ressureição.
Há dúvida e compaixão.

É por meio a inteira verdade de tantas mentiras.
Que me dispo de mágoas e rancores.
Que me entrego de cara lavada.
Que faço veemente meu destino.
É por ti, lua cheia.

G2

Acontece.

No momento não há crença,mas depois vem a dor da promessa não cumprida.
Vem o consolo das horas, as visitas das noites mal-dormidas.
A certeza que ela não lhe abandonará no dia seguinte traz consigo um grito contido de desespero.
Vai a solitude e vem a solidão.
Vem a penumbra do velho amor sufocado, escondido, que se deixou tornar vazio.
Vem o medo de não poder mais ter o desejo que pulsionava a paixão.
É esconderijo que a alma procura.
É verdade que a alma clama.
Não é fuga.
Não é prazer forjado.
Não é o amor em palavras, em promessas.
Em despedidas.
São tantas idas, tantas vindas.
Tanto o que dizer, pouco a falar.
É o momento que a boca seca e clama.
Os olhos cegam e brilham.
É mais que querer.
É sentir.

G2
"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver...Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te:Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver...Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..E lembra-te:Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa

Sade - Soldier of Love


Após o álbum Sade Lovers Live de 2002, diga-se de passagem M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, principalmente com um bom vinho e uma companhia estonteante, Sade lança Soldier of Love em 2010. Ainda por apreciar:

Água viva

"Parei de tomar água fresca: o copo neste instante-já é de grosso cristal facetado e com milhares de faíscas de instantes. Os objetos são tempo parado?" Clarice Lispector