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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



"Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante. "

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011


"Abençoado seja (...) Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa. Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011



"Abençoadas sejam as dádivas generosas que nos surpreendem.
Elas não sabem o quanto às vezes, tantas vezes, nos salvam de nós mesmos."

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Apesar de


"Não é raro, tropeço e caio. Às vezes, tombo feio de ralar o coração todinho.
Claro que dói, mas tem uma coisa: a minha fé continua em pé."


Foto de Regina Bentes

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Presente




A vida é tão amorosamente surpreendente que, às vezes, no auge da nossa tristeza, ela aparece com um presente que faz diminuir o tamanhão todo da nossa dor.

Ele não cura, mas a gente lembra que a oportunidade de viver é algo bem maior, bem mais precioso, bem mais bonito, enquanto o desembrulha.

Ana Jácomo


Imagem Patricia Azevedo


http://anajacomo.blogspot.com/2010/12/presente.html

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Delicadeza




A gente, às vezes, se afoba e se abafa desnecessariamente.

Os mais lindos bordados da vida são feitos com os fios de delicadeza que respeitam a sabedoria amorosa do tempo do coração.







Imagem Marcelo Menezes



Ouço um passarinho cantar perto da cozinha. Não posso vê-lo, mas, porque canta, ele me alcança e perfuma a textura do meu instante.

Como o pássaro é o coração que ama: canta o seu perfume sem imaginar onde ele chega. E, ao amar, imperceptivelmente, ajuda a amaciar a textura do mundo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com honestidade


De vez em quando, a água, por natureza cristalina, de lindas praias existentes na região dos afetos fica turva por detritos emocionais acumulados, nossos e alheios. Às vezes, é possível percebê-los e até identificá-los na superfície. Outras, não. Só o que dá pra perceber é a transparência prejudicada. O desconforto que nem mesmo a massagem das ondas consegue desmanchar. A espontaneidade que desaprendeu a fluir. Um aperto meio doído na garganta dos instantes compartilhados.


Os tais detritos, entre outras coisas, podem ser resíduos de achismos traiçoeiros, olhares estreitados, tristezas arqueológicas, cacos de carências, bobagens fermentadas, perdões mal costurados, medos cabíveis e outros que não cabem. Podem ser também resíduos de coisas inimagináveis, criadas durante trechos de silêncio ruidoso pela falta daquele raro diálogo que não se restringe ao andar da cabeça. Aquele que tem espaço para começar no coração. Aquele que é lugar onde ninguém precisa se defender de ninguém para oferecer proteção a si mesmo. Aquele que quando não acontece às vezes se transforma em dois monólogos esquisitíssimos, feitos de equívocos e sentimentos embolados pelas mãos da confusão.


A verdade é que, embora quiséssemos, não encontramos uns com os outros ao longo da extensa orla da existência só para compartilhar banhos aprazíveis em mar de águas claras, clima ameno, riso farto, coco gelado ou uma cerveja boa. A ideia é ótima, e deve ser desfrutada tanto quanto seja possível, mas não é só essa. Os encontros, sobretudo aqueles que acontecem com potencial pra trazer à tona os seres amorosos que, por essência, já somos, evidenciam nossas belezas sem reservas, mas podem também turvar as águas de quando em quando. Uma hora costuma acontecer, coisas nossas, coisas alheias. Geralmente, chamamos isso de problema, mas um nome também adequado é oportunidade.


Quando acontece, a gente às vezes fica tão assustado que tenta se convencer por a mais b que os detritos são só do outro e as belezas são só nossas. Outras vezes, pode se afastar correndo da beira da praia e deixar o outro se virar sozinho com os resíduos todos, os dele e os nossos. Outras também, inábeis, estabanados, como costumam ser as pessoas que estão começando a aprender a amar, podemos só conseguir revolver os detritos e espalhá-los ainda mais, no afã de resgatar de qualquer jeito a transparência comprometida.


Talvez nesses momentos o gesto mais promissor e generoso possível seja, com toda a calma que soubermos, começar a sair do monólogo esquisito para dialogar a partir do coração. Talvez seja arriscar descobrirmos juntos o que está turvando a água antes que ela se torne mais poluída. E, se o sentimento compartilhado realmente for bacana e precioso para as duas vidas, quem sabe pedir uma para a outra com honestidade: “não desiste de mim.”


segunda-feira, 15 de novembro de 2010


"Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria.

De vida abraçada.

De chuva quando beija a aridez.

De lua quando é cheia e o céu diz estrelas.




Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom."

domingo, 7 de novembro de 2010


"Coisa rara e bonita é a gente poder se comunicar por meio da alma,
sem que palavra alguma necessariamente aconteça."

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


"Alguns sentem vida, sentem beleza,sentem amor, com doses de conta-gotas.





Eu, não:





há uma chuvarada dentro de mim."

terça-feira, 2 de novembro de 2010



Não é que seja exatamente corajoso, meu coração tem é isso de bom:
não ocupa espaço com mágoas e, com o tempo,
ele se tornou desmemoriado pra assuntos de frustração.
Quando me dou conta, lá está ele amando de novo,
sorriso de orelha a orelha, com tal frescor que parece que nunca foi ferido.
Dá, sim, pra ver uma cicatriz aqui e ali, outras mais adiante,
que cicatriz não morre, mas ele não liga. Nem eu.
Não é que seja exatamente teimoso,
meu coração tem é isso de bom: gosta de amar.



Eu também.

sábado, 30 de outubro de 2010



"No meio das defesas todas, havia algo que não se defendia,
não sabia como se defender, não conseguiria, ainda que tentasse.
Havia algo delicioso de se sentir que escorregava de dentro da gente
e se esparramava no sorriso. Escapulia no olhar. Cantava no silêncio.
Fazia florescer pés de sol no tempo encantado em que estávamos juntos.
Dispensava nomes e entendimentos.
Havia algo que tinha um cheiro inconfundível de alegria.
De vida abraçada. De chuva quando beija a aridez.
De lua quando é cheia e o céu diz estrelas.
Um cheiro da paz risonha do encontro que é bom."
Imagem Ana Oliver - Amor

terça-feira, 12 de outubro de 2010




A vida pode ficar muito pequena
quando olhamos para ela com
o olhar estreito.
O tédio acontece quando nos afastamos
da capacidade de nos encantarmos
com as coisas mais simples do mundo.
Porque para se estar aqui com
um pouco que seja de conforto na alma
há que se ter riso.
Há que se ter fé.
Há que se ter a poesia dos afetos.
Há que se ter um olhar viçoso.
E muita criatividade.

"Tem dor que vira companhia. Olhando de perto, faz tempo que deixou de doer, só tem fama, mas a gente não solta. Quem sabe, pelo receio de não saber o que fazer com o espaço, às vezes grande, que ficará desocupado se ela sair de cena. Vazio é também terreno fértil para novos florescimentos, mas costuma causar um medo inacreditável.

Quando, finalmente, criou coragem e deixou de dar casa, comida e roupa lavada para a tal dor, ela desapareceu."