quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

TEMPORARIAMENTE FECHADO.



VAI, ANO VELHO, VAI DE VEZ

VAI COM TUAS DÍVIDAS

E DÚVIDAS, VAI, DOBRA A EX-

QUINA DA SORTE, E NO TRINTA E UM,

A MEIA NOITE, ESGOTA O COPO

A CULPA DO QUE NEM LEMBRO...


ADEUS, TRISTEZA: A VIDA

É UMA CAIXA CHINESA

DE ONDE BROTA A MANHÃ.

AGORA

É RECOMEÇAR.

A UTOPIA É URGENTE.

ENTRE FLORES E URÂNIO

É PERMITIDO SONHAR.


Affonso Romano de Sant’Anna






Desejo a todos que aqui vierem um Natal iluminado e um novo ano de desejos na alma.
E que sonhar, amar e tentar são os verbos que devem encravar em cada novo amanhecer.
Que o desejo de fazer melhor se estenda durante todo o ano e não se perca durante seus obstáculos.
Sofrer,infelizmente, faz parte. Lutar muitas vezes é cansativo. Mas almas grandiosas aprendem a não desistir. E eu vou tentar fazer a minha crescer, portanto, até breve!

Um forte abraço,

Gabriela Sobreira










“Tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas fossem todas
afinal de contas”

Paulo Leminski
Só eu sei teu nome mais secreto
Só eu penetro em tua noite escura
Cavo e extraio estrelas nuas
De tuas constelações cruas
Só meu sangue sabe tua seiva e senha
E irriga as margens cegas
De tuas elétricas ribeiras,



Waly Salomão

Figuras



O teu rosto entre minhas mãos ...
eu carrego teu rosto,
teus lábios secos.
Carrego teus olhares e teu medo.

O teu corpo se encolhe,
como se quisesse contar uma estória.
Já vi um tudo inigualável,
o meu tudo ... teu ...

Tenho tuas mãos sobre meus ombros,
como se fizessem parte
da arquitetura imperfeita
da minha existência.

O teu espaço cabe no tempo
que levo a atingir
tuas vozes ameaçadoras ...
de si para si ... o que resta?

O teu rosto entre minhas mãos,
como se eu pudesse ler
teu poema concreto ...
sobre ser humano.




Carla Dias
Pintura Klimt "O beijo"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010



"Muito tempo para pensar faz a gente amar ou desamar além da conta"


Cah Morandi



"Ele me aperta como sempre, até que algum ossinho da minha coluna estale, e me diz, como sempre também:

'Que é que você tem que eu sempre largo tudo e venho te ver?' "




Sabia...




"Gosto de você chegar assim
Arrancando páginas dentro de mim"


Chico Buarque

terça-feira, 14 de dezembro de 2010


Quando você se sentir sozinho,escreva...
Recolha a lágrima a tempo,antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo...E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas,pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite...

Tanto,tanto, tanto...

Até que amanheça...


Rita Apoena


Imagem Kurt Halsey

Sina Nossa - O Teatro Mágico

"Mia senhora,
És de lua e beleza
És um pranto do avesso
És um anjo in verso
Em presença e peso
Atrevo-me atravesso
Pra perto do peito teu

Teu sagrado e tua besteira
Teu cuidado e tua maneira
De descordar da dor
De descobrir abrigo
Entre tanto amor
Entretanto a dúvida
A música que casou
Um certo surto que não veio

Há uma alma em mim,
Há uma calma que não condiz...
Com a nossa pressa!
Com resto que nos resta
Lamentavelmente eu sou assim...

Um tanto disperso
Às vezes desapareço
Pois depois recomeço
Mas antes me esqueço

Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa é...
Nossa sina é se ensinar...
A sina nossa...

Minha senhora diz:
Bons ventos para nós
Para assim sempre
Soprar sobre nós..."

Há aqueles que entendem que é loucura mudar de vida, eu chamo de coragem.

Presente




A vida é tão amorosamente surpreendente que, às vezes, no auge da nossa tristeza, ela aparece com um presente que faz diminuir o tamanhão todo da nossa dor.

Ele não cura, mas a gente lembra que a oportunidade de viver é algo bem maior, bem mais precioso, bem mais bonito, enquanto o desembrulha.

Ana Jácomo


Imagem Patricia Azevedo


http://anajacomo.blogspot.com/2010/12/presente.html

Guitar solo Andrei Krylov music from Cafe Flamenco





Maravilhoso!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


"Hoje roí todas as unhas.
Quero menos eu em mim."

Quando Quintana veio a mim

Eu caminhava desviando das pequenas poças provavelmente formadas pela irregularidade de outros passos perdidos como os meus. Naquele momento, a força do meu movimento era idêntica à dos que nadam sem sair do lugar: num segundo eu via a margem, no seguinte era atraída para o fundo. Recordo-me bem disso. E também que acabei no banco da praça porque eram exaustivos demais os tais pensamentos. Sentei, coloquei o rosto entre as mãos e quando levantei os olhos, lá estava ele. Não sei dizer como surgiu ao meu lado. Não faço idéia se veio do céu ou de dentro de mim. Sei apenas que, de repente, lá estava o Poeta como que saído de uma fotografia, com sua bengala alada e seu cigarro suspirante. Meu coração disparou, minhas mãos umedeceram e eu virei a própria página em branco à procura da frase inicial. Sensível, esperto, atento, ele sentiu meu drama – mais esse – e falou primeiro:

Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...

– Mas... é que... de repente o inatingível tornou-se insuportavelmente cansativo para mim.

Ah, essas pequenas coisas, tão quotidianas, tão prosaicas às vezes...

– Pois acho que ando desejando o trivial, o quotidiano, o previsível. Um amor de rotina, com mais ação e menos imaginação.

A imaginação é a memória que enlouqueceu.

– Nem me fale em enlouquecer... Estava mesmo aqui pensando que o excesso de amor é o mais insano dos sentimentos.

Amar é mudar a alma de casa.

– Pois a minha alma achava que dessa vez havia encontrado a morada certa. A ponto de eu desejar que ele tatuasse minha letra em seu corpo como uma espécie de promessa de amor eterno...

As únicas coisas eternas são as nuvens.

Calei. De todas as frases dele, essa era, para mim, a mais perturbadora. Foi por isso que, no lugar de responder, cerrei as pálpebras como quem cria um dique para impedir a represa. Quando voltei a mim, Mario já havia virado novamente nuvem. Enquanto eu já não mais me sentia um guarda-chuvas esquecido que não sabe para onde vai.

Palavras


"Nunca acredite em palavras. Palavras são armas sem força. Palavras são frágeis
como louça. Palavras nem sempre são lembradas. Palavras são mentiras
disfarçadas."

A melhor época da minha vida foi aquela em que aprendi a ser só.

Não o só de auto suficiencia, de individualismo ou egoísmo.

Mas um só de sentimentos. De noites solitarias. De cafes da manhã sem bom dia. Sem travessuras na cozinha. Sem filme abraçado.

Pois assim pude sentir todo o corpo. Vestir toda a dor e calçar toda a solitude.





Me vi do avesso e agora me visto de alegria, para assim, dar as mãos a quem no meu mundo quer estar.





Gabriela Sobreira


“Pelo o que me diz respeito
Eu sou feita de dúvidas
O que é torto, o que é direito
Diante da vida
O que é tido como certo, duvido
E não minto pra mim
Vou montada no meu medo
E mesmo que eu caia
Sou cobaia de mim mesma
No amor e na raiva
Vira e mexe me complico
Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva
E só morro no fim
E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem
Eu por mim já descarrilho
E não atendo a ninguém
Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo
E mergulha com tudo
Pra dentro de si”


Martha Medeiros

“O que eu fui ontem e anteontem já é memória. Escada vencida degrau por degrau, mas o que eu sou neste momento é o que conta, minhas decisões valem para agora, hoje é o meu dia, nenhum outro”




Martha Medeiros

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010


O que nos leva a escolher uma vida morna?

A resposta está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos bom dia, quase que sussurrados.

Érico Veríssimo

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"Mesmo em sonho estive atento para poder lembrar-te sempre. "


Chico Buarque

"Por isso, eu te peço.





Me provoque.
Me beije a boca.
Me desafie.
Me tire do sério.
Me tire do tédio.





Vire meu mundo do avesso!"

Vênus - Moska

Quando a sua voz me falou: vamos
Eu vi deus sentado em seu trono: vênus
A religião que nós dois inventamos
Merece um definitivo talvez... pelo menos

Perceba que o que me configura
É sempre essa beleza
Que jorra do seu jeito de olhar
Do seu jeito de dar amor
Me dar amor

Não te dei nada que seja impuro
No futuro também vai ser assim
Se hoje amanheceu um dia escuro
Foi porque capturei o sol pra mim

Perceba que o que te configura
É sempre essa beleza
Que jorra do meu jeito de olhar
Do meu jeito de dar amor
Te dar amor

Perceba que o que nos configura
É sempre essa beleza
Que jorra do nosso jeito de olhar
Nosso jeito de dar amor
Nos dar amor

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
E me corta todos os sentidos não mais amar...me perco entre becos de caos e de dor por não mais amar apaixonadamente. Me sinto indigente mendigando por suspiros na alma.

Me perco e me acho por um sonho.


Gabriela Sobreira

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Talvez seja outra coisa


“Ainda hoje não sei se havia amor nessa loucura, mas procuro me dizer que não, isso não é amor, procuro acreditar que o amor é outra coisa, que ele não devasta o corpo dessa maneira, não arranca a pele nem nos deixa tão vulneráveis, a carne à mostra. Procuro acreditar nisso, mas tenho medo de estar enganada. Na verdade, morro de medo, medo de que o amor seja de fato essa dor a nos invadir, a nos devorar o corpo, a alma”.

(A chave da casa, Tatiana Salem Levy, Ed. Record, P. 163)


http://vemcaluisa.blogspot.com/2010/12/talvez-seja-outra-coisa.html

Um blog fantástico! Vanessa, já estou de mãos dadas com Luísa!



Mas meu chão eu fiz de mola. Posso cair todos os dias, mas o resultado da minha queda é o impulso.

(Fernanda Gaona)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010


"Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver"

Chico Buarque

Madeleine Peyroux



(Janis Joplin com seu vozeirão tambem arrasa com esta canção!)



Madeleine Peyroux me lembra um dançar pela sala ao arrumar uma linda mesa de jantar iluminada por velas e regada por um bom vinho tinto! E o amor cantarolando...

Amo e amo tanto




Amo e amo tanto
Que chego a amar ninguém
Amo, sim, sei que amo alguém
Amo alguma coisa em alguma hora
Amo, mas será que não amo agora?
Deixe que ao meu amor ame outrora.

Amo e amo tanto
Que chego a amar pouco o que tenho de amor
Amo e amo como um louco, que só fala de dor
Amo amores e duvido de mim mesmo
Deixo tudo que amo a esmo
Ao escuro amo, amo-me aceso.

Amo e amo tanto
Que me chega a ser difícil de entender
Que não amo os seres, amo o ser.

Assim é necessário ao amor calar
Pois, não amo o que amo, e se falo de amar
Não sei se falo por amor ou por falar.


(Por Marcos P. S. Caetano)

Pintura: "Melancolia" de Edvard Munch, de 1891.


http://marcospscaetano.blogspot.com/2010/12/amo-e-amo-tanto.html

Delicadeza




A gente, às vezes, se afoba e se abafa desnecessariamente.

Os mais lindos bordados da vida são feitos com os fios de delicadeza que respeitam a sabedoria amorosa do tempo do coração.







Imagem Marcelo Menezes



Ouço um passarinho cantar perto da cozinha. Não posso vê-lo, mas, porque canta, ele me alcança e perfuma a textura do meu instante.

Como o pássaro é o coração que ama: canta o seu perfume sem imaginar onde ele chega. E, ao amar, imperceptivelmente, ajuda a amaciar a textura do mundo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010


Caí no abismo de teu abraço. Céu e terra estão cada vez mais distantes.




Vivo noutra dimensão.






A da doce ilusão do bem amar e do amargo mal viver.




Gabriela Sobreira

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desejo fracassado


Não consegui ler palavras de amor, de amizade, de saudade e tão pouco consegui perceber de que maneira faço diferença na sua caminhada.
Talvez façamos falta um ao outro de vez em quando. Numa madrugada ou numa praia ensolarada ou simplesmente num reflexo de pensamento. Mas já sabemos o que fazer com o não nós.
Não consegui ouvir a tradução das músicas feitas pra mim.

Você foi o cheiro perdido na minha franja, o melhor beijo enluarado e o maior amor ao som de Nando Reis.

E o esquecer mais dolorido.




Gabriela Sobreira


"Sua dor não seria resolvida, mas as fagulhas da compreensão o aliviariam pouco a pouco."



Augusto Cury

Presente do dia,


Você acorda, levanta, reclama e faz tudo igual
Luta para ser aceito, notado e sair no jornal
Corre atrás do vento como uma máquina imortal
Morre sem curtir a vida e jura ser uma pessoa normal
Olha pra mim e me diz com ironia social
Eis aí um maluco, um sujeito anormal
Sim, mas não vivo como você em liberdade condicional
Sou o que sou, uma mente livre, um louco genial

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fernanda Takai - Onde brilhem os olhos seus








"Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão debaixo do braço"

Fernanda Takai - Duetos






Fernanda Takai com duetos imperdiveis: Milton Nascimento, Rodrigo Amarante, Tom Zé,etc.

"O amor não acaba pra quem é do bem"

Estrada do Sol - Dolores Duran / Tom Jobim por Fernanda Takai




"É de manhã, vem o sol
Mas os pingos da chuva que ontem caiu
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre que me traz esta canção



Quero que você me dê a mão
Vamos sair por aí sem pensar
No que foi que sonhei
Que chorei, que sofri
Pois a nossa manhã
Já me fez esquecer
Me dê a mão vamos sair
Pra ver o sol"


"É, meu amigo, só resta uma certeza:
é preciso acabar com essa tristeza,
é preciso inventar de novo o amor."

sábado, 27 de novembro de 2010

Era - Ana Carolina




O destino me pregando uma outra peça eu não
queria
Me cercava toda noite com sua flecha e sua guia
Era o tempo me encostando sua pele traiçoeira
Eram noites tão pesadas com nuvens sorrateiras
Era a vida me cortando a carne com seu guiso
Ecoando pelos séculos os sons de alguns gemidos
Eram o meus antepassados dentro dos bacanais
Era o tempo me emprestando aquilo que eu não
devolveria mais
Era um homem nos meus sonhos me currando sem perdão
Eram duas velhas mortas se arrastando pelo chão
Eu soltava os meus cães e o meu peito a soluçar
Abafava os meus gritos, pois não sabia ladrar
Achei que não era eu que fazia a minha história andar
Punha a culpa no destino e quem estivesse a mão para
culpar
E era assim



Hoje em dia não me importo com o que fiz do meu
passado
Quero amigo, sorte, muita gente boa do meu lado
E não rebato se disserem por aí que eu tô
errado
Porque quem se debate está sozinho ou afogado
Eu que não fico no meio, não começo e nem acabo
Eu sou filho do amor, não de Deus nem do diabo
Na ciranda das canções eu me ponho a revesar
Rodando entre as ondas que me puxam em alto
mar
Hoje sei bem quem sou eu que giro a minha vida
circular
Essa roda eu que invento e faço tudo nela se encaixar
É eu sou assim

Tá rindo, é? Ana Carolina




"Malandro e folgado comigo não dura mais nem um luar,
Tá rindo, é?

Ah, vamos dando risada que a vida nos chama não da pra
chorar
A minha oração é bem curta pro santo não entediar
E vamo que vamo e vamo que vamo"

"Amor de verdade nunca é passado, é um agora eterno."

O tempo


Há tempos venho refletindo sobre o tempo.


Tempo é força que intriga.

Afinal, o que é o tempo?

Quando penso sobre o tempo penso em espaços, presenças e ausências. No que foi e no que não foi. No que tive e no que não tive. Lembro do que esperei, do que chegou e do que nunca chegou. Penso também em todos os calendários que já foram meus, de parede, de mesa, calendários com imagens de obras de arte, outros feios, bregas mesmo, divulgando a marca das empresas x ou y. Atualmente tenho um calendário da OAB, que não me agrada, mas foi o único que ganhei em 2010. Olhei tanto para aqueles papéis numerando a passagem do tempo, classificando a vida em passado, presente e futuro. Ser humano adora classificar, catalogar, medir. E os relógios? Tic-tac, tic-tac, marcando cada segundo. Gera ansiedade, tensão, neurose, stress. Atualmente estamos sempre atrasados e nunca dá tempo. Olho para mim, vejo minha imagem no espelho, noto as transformações. As pessoas têm medo do tempo, das mudanças no corpo, das rugas, cabelos brancos, flacidez, doenças. Acho que as pessoas tem medo do julgamento dos outros mais do que tem medo da morte. Será? Nem sei. Acho que tenho esses medos também. Com o tempo venho cansando dos papéis, (pode interpretar essa afirmação da maneira como você quiser, ela é extensiva mesmo). Vou apenas vivendo e o tempo vem comigo. É isso que intriga no tempo. Ele não é linear como diz o calendário. Ao mesmo tempo estão comigo o tempo do universo, do surgimento da vida, do surgimento da vida humana, da história documentada, da minha própria existência. E eu dependo de todos esses tempos e ao mesmo tempo, todos acontecem e integram o agora.


O tempo manchou as paredes da minha casa. Elas estão sujas. Quando der tempo vou pintar tudo de branco.


E recomeçar.


http://oseremmovimento.blogspot.com/2010/11/o-tempo.html




Parece tristeza, mas é só cansaço,

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A Dance 'Round The Memory Tree - Oren Lavie

Ontem quase sua, hoje nada sou.

Uma foto. Dois esquecimentos.
Duas alegrias. Um descontentamento.

Um pacto com a alegria e o amor.
Um desfalecimento da certeza de uma existencia.

Aquele sorriso largo era a maior de todas as certezas:
A de que ele achou o encontro de todos os seus desejos.


Gabriela Sobreira

O livro dos dias - Renato Russo


"Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado
Este é o livro das flores
Este é o livro do destino
Este é o livro de nossos dias
Este é o dia de nossos amores "

Chico Buarque

"Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa. "

Ele: Você é linda de qualquer jeito.

Ela: Você não me acharia linda se acordasse comigo e me visse pela manhã.

Ele: Eu até poderia não te achar linda, que é pouco provável, mas eu seria o homem
mais feliz do mundo só por poder acordar com você
Trechos do filme 500 dias com ela

"Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que quero te dar!"



"É hora de fazer tudo o que sempre quis. E é maravilhoso ver que tudo o que sempre quis é simples, belo, acessível, fácil e do bem."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


"Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta"
.
Imagem: Thelma e Louise - filme de mesmo nome
.

A ENTREVISTA ABAIXO É FANTÁSTICA.

>
>
>
>Revista Istoé publicou esta excelente entrevista de Camilo Vannuchi. O
>entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em
>administração de empresas pela USP, consultor organizacional e
>conferencista de renome nacional e internacional.
>
>"Cuidado com os burros motivados"
>
>Em "Heróis de Verdade", o escritor combate a supervalorização da Aparência
>e diz que falta ao Brasil é competência e não auto-estima.
>
>"Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está
>Cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das
>famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o
>que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes,
>motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência.
>Dizem-se
>perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos
>(heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não
>compartilha da síndrome de super-heróis.
>"Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que
>eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu
>enxovalho, nunca foi senão príncipe", dizem os versos que o inspiraram
>a escrever "Heróis de verdade" (Editora Gente, 168 págs.) Farto
>de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de
>atitude. "O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras".
>
>ISTOÉ -- Quem são os heróis de verdade?
>
>Roberto Shinyashiki -- Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de
>sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro
>importado,
>viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo.
>Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de
>funcionários que não chegaram a ser gerentes.E essas pessoas são tratadas
>como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a
>maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o
>carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça
>que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa
>de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que
>trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os
>outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.
>
>ISTOÉ -- O sr. citaria exemplos?
>
>Shinyashiki -- Dona Zilda Arns, que não vai a determinados
>programas de
>tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando
>eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,
>empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente
>(SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus
>quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa
>em que está escrito "100% Jardim Irene". É pena que a maior parte das
>pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão,
>doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão,
>Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se
>mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher
>que, embora não ame mais o marido,mantém o
>casamento, ou
>o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se
>sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.
>
>ISTOÉ -- Qual o resultado disso?
>
>Shinyashiki -- Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer
>preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês,
>informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única
>coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a
>desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a
>infância dos
>filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão
>discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo
>corporativo.
>
>ISTOÉ - Por quê?
>
>Shinyashiki -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a
>começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais
>marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a
>competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que
>respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que
>ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito
>interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho
>dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na
>contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num
>processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.
>
>ISTOÉ -- Há um script estabelecido?
>
>Shinyashiki -- Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente
>de multinacional no programa O aprendiz? "Qual é seu defeito?" Todos
>respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de
>cabeça
>na empresa. Preciso aprender a relaxar". É exatamente o que o Chefe quer
>escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou
>esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma,
>na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O
>vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me
>disse: "Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir". Isso
>significa que quem fala a verdade não chega a diretor?
>
>ISTOÉ -- Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
>
>Shinyashiki -- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se
>preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se
>preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o
>maior problema no Brasil é
>competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada
>fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está
>preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na
>minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer Que isso nunca aconteceu
>graças a meus chefes, que foram sábios em não me
>dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da
>faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou
>incompetente e não acordou para isso.
>
> ISTOÉ -- Está sobrando auto-estima?
>
>Shinyashiki -- Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso
>que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes,
>o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta
>para conquistar o respeito
>do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo
>de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem,
>parece que acreditam. E poucos são humildes para
>confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que
>preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem
>pose de que está tudo bem.
>
>ISTOÉ -- Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos
>perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
>
>Shinyashiki -- Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando
>os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O
>técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles
>não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:
>"Quando você quiser entender a essência
>do ser humano,imagine a rainha
>Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de
>Buckingham". Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem
>diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza,já fez
>coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis.
>Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um
>fracassado.
>
>ISTOÉ -- O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
>
>Shinyashiki -- Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado.
>A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada
>de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque
>acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.
>A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade
>pela própria
>vida é delas.
>
>ISTOÉ -- Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer
>essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
>
>Shinyashiki -- Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz
>minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui.
>Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais
>velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança
>especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la
>o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho
>para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram
>apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não
>deu certo. Um amigão me perguntou: "Quem decidiu publicar esse livro?"
>Eu respondi que tinha sido eu.
>O erro foi meu. Não preciso mentir.
>
>ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
>
>Shinyashiki -- O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas
>cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é
>precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é
>buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por
>isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do
>aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith
>Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do
>Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver
>suas próprias potencialidades.
>
>ISTOÉ -- Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são
>seus?
>
>Shinyashiki -- A sociedade quer definir o que é certo. São quatro Loucuras
>da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se
>ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de
>estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que
>puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura:
>Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há
>um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o
>sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um
>estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não
>casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do
>casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou
>amigos
>verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
>Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de
>pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre
>procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico
>pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida
>inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme
>por
>não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas
>pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o
>dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou
>perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.
As 10 coisas que levei anos para aprender:

1. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

2. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

3. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

4. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você,quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

7. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

8. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa. (Esta é muito importante. Preste atenção. Nunca falha.)

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.


(Luis Fernando Veríssimo)

Presente do dia,




"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis.Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei em me decepcionar, mas também decepcionei alguém. Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei. Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, 'quebrei a cara' muitas vezes! Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida... E você também não deveria passar! Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante......"

Desistir.



Calmamente ela desistia das pessoas. E com o passar do tempo, e quanto mais o sol nascia na sua janela, mais calmante ela desistia. Na impossibilidade de não amanhecer todos os dias, mansamente ela vivia. Aprendia todos os dias a suavemente desistir, sabiamente desistir de tudo o que resiste, ou deseja com fraqueza. Por que ela acreditava que amor não se pede e então, se tivesse que pedir, partia.


E ao longo dos dias que se sucediam, ela ia ganhando o ar sereno daqueles que sabem desistir em paz. Aprendeu com o tempo a usar sua força naquilo que valia a pena. E se alguém por ventura quisesse ficar, então ela amava.




Amava com a força daqueles que não desistem nunca daquilo que quer ficar.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Wonderful tonight - Eric Clapton por Ivan Lins e Michael Buble





"A noite é de festa
E ela veste o luar
Me arrasta e me testa
Se sente uma superstar
E então pergunta se eu estou em paz
E eu digo sim :"I feel wonderful tonight"

Rifa-se um coração.


Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... "...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...". Um idealista...Um verdadeiro sonhador... Rifa-se um coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer" Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente. Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Arma de Caça na cabeça de Daniel Riva


“Arma de Caça na cabeça de Daniel Riva”


Lá estava ela, desfilando no vento. E ela se dirigia a mim com passos de sorriso, os mesmos sorrisos que passeiam pela minha lembrança de dias afáveis, os dias que passaram por mim com benquerença e ternura, dias de minhas verdades. As mãos balançavam com o mesmo ritmo das ondas que um dia observamos do mar. Os castanhos cabelos o vento fazia questão de passear os dedos e de me dar ciúmes castanheiros. Aqueles olhos grandes e doces tais quais os chocolates negros que tantas vezes comemos juntos, eles piscavam e os cílios acenavam para mim como incontáveis vezes ela me acenou. A boca volumosa e com certo corte no meio, como se Michelangelo houvesse esculpido, seguia serena como se nunca precisasse falar algo, afinal nossos pensamentos caminhavam como uma única linguagem, as nossas palavras eram sincronizadas como os artistas de uma peça de teatro que algum dia nós presenciamos, fazendo arte nos davam risos, choros, rubores e amores. Aquele narizinho de batata me rememorava todas as brincadeiras tolas dos dias, aquelas que brincamos para suportar o peso das coisas. Ela não era perfeita, eu estava feliz por isso, ao menos uma única vez. Era minha amiga.

- Santa!

Aquela era uma voz que meus ouvidos faziam questão de não decodificar. Ela virou o rosto e o viu. Era assim que ele a chamava, de santa, a mais sagrada. E fora eu que um dia a apresentei a mais bela tradução dela mesma. Mas o tempo pesa na palavra. E Furtados de atenção foram os olhos dela, embora os dedos e a mão esticada em minha direção fossem o suficiente para mim, como se o corpo precisasse seguir o caminho, e seguir o caminho sempre me confortou, qualquer que fosse a estrada. Volveu para mim e deu de ombros, como se já soubesse que eu não fosse impor empecilho algum para que ela se retirasse com aquele que ela chama de amado. Então foi embora, sem mesmo chegar a me cumprimentar, era desnecessário, e nós dois sabíamos.

Dei as costas e voltei para o meu rumo, preferia que o silêncio houvesse imperado em mim, mas aquela palavra santa imperou no silêncio. Eu era como diria certa Pessoa: Uma catedral de silêncios eleitos. Naquele dia não pude distinguir as roupas dela, apenas o seu movimento, o que vestia o seu ser. Não olhei sandália, brinco, pulseira ou blusa, apenas as memórias de cada momento bom que ela levava nos pés, nas orelhas, nos braços e no peito. O riso que sempre quis rir, ou mesmo gargalhar. Eu era a minha piada.

Sentei no meio do meu rumo. Senti como se não fosse aquele tempo, até pude ver um menestrel qualquer a entrar com seu bandolim. Não. Eram os bytes que cantavam Beirut em Elephant Gun:

If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Naquela noite bebi qualquer coisa de que não me lembro, mas funcionou: não sonhei ao dormir. O trompete anunciou que talvez eu tenha bebido esquecimento. Infelizmente não bebi o bastante. Escrevi alguma coisa em algum guardanapo, apenas o nome: Daniel Riva. Apenas o nome era legível. Era o meu nome. Vi-me através do espelho, lembrei-me de que certa vez soube que Daniel significava “Deus é meu juiz” e Riva “Rio”. Dos rabiscos que escrevi não importa o que me fez dizer, importa o que se fez ouvir. Como música:

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

A bala disparou, e mesmo assim a minha memória não cessou.



(Por Marcos P. S. Caetano)

Fortaleza, 20h45 de 20 de Novembro de 2010





Pintura: Claude Monet - Le bateau atelier



segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Para sempre.


Um dia acreditei nas paixões como acredito no amor.
Era algo que fascinava em cada detalhe. Uma música. Um filme. Um olhar. Uma confiança.
O despertar para o prazer de viver e de ser mulher.
E o amor, por também estar ali, zelava o ser em questão. Engolia por vezes o orgulho e acarinhava um coração que nunca olhou para o meu.
Estava ali morrendo aos poucos o que muito me possuia.
A paixão avassalou meu ser. Embaralhou todas as letras da minha identidade. Borrou minha imagem. Sucumbiu meu orgulho. Aumentou minha descrença.
Me colocou numa vereda em meio a uma vasta insegurança.
E o amor, por estar ali, suplicava penitencia, calma e compaixão.
Um dia os dois resolveram fazer as pazes: tudo seria pesado e avaliado. Quem fosse maior permaneceria.
O amor mostrou o estrago que a paixão havia feito. Estragos irreversíveis até hoje.
A paixão, no entanto, começou a ver coisas que antes passavam despercebidas.
Na verdade, ela quem estava sendo esquecida e a dor aos poucos ocupava seu espaço.
Portanto, o amor ficou. E a dor aumentou.
Até esta ter coragem e seguir para o rumo da solitude. O amor chorou. Sentiu estilhaços lhe cortando aos poucos, era a ausencia quem os conduzia.
E no decorrer sobrou um ser, quase inteiro. Um amor e uma dor.
E é para sempre que vou levar esta dor e este amor em palavras.
E em lágrimas e em súplicas aos ceus numa noite fria como esta.



Gabriela Sobreira




"Ame muitas coisas, porque em amar está a verdadeira força. Quem ama muito conquistará muito, e o que for feito com amor estará bem feito." (Vincent Van Gogh)




Imagem Vincent Van Gogh - The wind-beaten tree

domingo, 21 de novembro de 2010

Fotografia - Leoni e Leo Jaime





"O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia"
Canta teu riso esplêndido sonata,
E há, no teu riso de anjos encantados,
Como que um doce tilintar de prata
E a vibração de mil cristais quebrados.

Bendito o riso assim que se desata
- Citara suave dos apaixonados,
Sonorizando os sonhos já passados,
Cantando sempre em trínula volata!

Aurora ideal dos dias meus risonhos,
Quando, úmido de beijos em ressábios
Teu riso esponta, despertando sonhos...



Ah! Num delíquio de ventura louca,
Vai-se minh'alma toda nos teus beijos,
Ri-se o meu coração na tua boca!


Augusto do Anjos

Creep - Radiohead




Bela criação!

Terceira estação.


Na estação as 2 horas da madrugada o frio passa pela pele de pouco sol.
O silencio é quebrado pelos carros que passam pela rodovia. Existe uma música ao fundo e um pensamento longe, portanto a solidão que ali se estala passa despercebida.
O vento esvoaça seus lindos cabelos negros e deixa intacta sua visão.
Existe uma sintonia entre a grandeza de seus lembrares e do seu olhar para uma árvore.
Lembrava do quanto havia sido feliz ao escalar uma árvore semelhante àquela.
O quanto aquele balançar a felicitava.
Pensava como uma simples semente pôde germinar uma árvore tão grande. Que em tempos de seca quase morria e que em tempos de chuvas podia brilhar em cada folha.
Que sobrevivia a tantas mudanças, permanecendo ali.
Sempre simples e deixando feliz quem a escalasse.
O olhar intacto via no voar das folhas os seus lindos cabelos negros.
A lembrança assemelhava o amor que existia dentro de si aquela simples árvore.

Entre secas e chuvas, permanecia ali.
Simples, grande e com poucos que ousassem a escalá-lo.


Gabriela Sobreira

Amanhã...


Um dia, não haverá no meu corpo, nenhum vestígio do teu.
Um dia, não haverá no meu cheiro, resquícios do teu.
Um dia, não haverá nos meus lençóis, fios dos teus cabelos.
Um dia, ao amanhecer, o vento tocará meus cabelos sem antes tocar teu corpo.
Um dia, acordarei com frio a noite e não sentirei falta do teu calor.
Um dia, teus vícios não estarão espalhados pelo meu quarto.
Um dia, meu sorriso não terá teu nome.
Um dia, minhas lágrimas não terão tua ausência.
Um dia, meu desejo não será o teu todo.
Um dia, minha cama não será vazia, mas desocupada.








sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O MEU AMOR - Chico Buarque




"O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz"

Chico é Chico. Perfeito.

Coração Vagabundo


Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher...

Que passou por meus sonhos
Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim!
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim!



Caetano Veloso

O que será - Chico Buarque E Milton Nascimento

Luz antiga - Nando Reis por Ana Cañas




"Mãe, o que é que é o mar, Mãe?"

Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d´água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava.

"Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Com honestidade


De vez em quando, a água, por natureza cristalina, de lindas praias existentes na região dos afetos fica turva por detritos emocionais acumulados, nossos e alheios. Às vezes, é possível percebê-los e até identificá-los na superfície. Outras, não. Só o que dá pra perceber é a transparência prejudicada. O desconforto que nem mesmo a massagem das ondas consegue desmanchar. A espontaneidade que desaprendeu a fluir. Um aperto meio doído na garganta dos instantes compartilhados.


Os tais detritos, entre outras coisas, podem ser resíduos de achismos traiçoeiros, olhares estreitados, tristezas arqueológicas, cacos de carências, bobagens fermentadas, perdões mal costurados, medos cabíveis e outros que não cabem. Podem ser também resíduos de coisas inimagináveis, criadas durante trechos de silêncio ruidoso pela falta daquele raro diálogo que não se restringe ao andar da cabeça. Aquele que tem espaço para começar no coração. Aquele que é lugar onde ninguém precisa se defender de ninguém para oferecer proteção a si mesmo. Aquele que quando não acontece às vezes se transforma em dois monólogos esquisitíssimos, feitos de equívocos e sentimentos embolados pelas mãos da confusão.


A verdade é que, embora quiséssemos, não encontramos uns com os outros ao longo da extensa orla da existência só para compartilhar banhos aprazíveis em mar de águas claras, clima ameno, riso farto, coco gelado ou uma cerveja boa. A ideia é ótima, e deve ser desfrutada tanto quanto seja possível, mas não é só essa. Os encontros, sobretudo aqueles que acontecem com potencial pra trazer à tona os seres amorosos que, por essência, já somos, evidenciam nossas belezas sem reservas, mas podem também turvar as águas de quando em quando. Uma hora costuma acontecer, coisas nossas, coisas alheias. Geralmente, chamamos isso de problema, mas um nome também adequado é oportunidade.


Quando acontece, a gente às vezes fica tão assustado que tenta se convencer por a mais b que os detritos são só do outro e as belezas são só nossas. Outras vezes, pode se afastar correndo da beira da praia e deixar o outro se virar sozinho com os resíduos todos, os dele e os nossos. Outras também, inábeis, estabanados, como costumam ser as pessoas que estão começando a aprender a amar, podemos só conseguir revolver os detritos e espalhá-los ainda mais, no afã de resgatar de qualquer jeito a transparência comprometida.


Talvez nesses momentos o gesto mais promissor e generoso possível seja, com toda a calma que soubermos, começar a sair do monólogo esquisito para dialogar a partir do coração. Talvez seja arriscar descobrirmos juntos o que está turvando a água antes que ela se torne mais poluída. E, se o sentimento compartilhado realmente for bacana e precioso para as duas vidas, quem sabe pedir uma para a outra com honestidade: “não desiste de mim.”


E é porque tu estás comigo que minhas escolhas se tornam simples.

Como se minha dúvida fosse em ir à praia ou à serra.



E não em abrir uma porta e fechar um mundo de expectativas a longos prazos. No qual adiarei sonhos infantis e realizações antecipadas.


Gabriela Sobreira