segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Para sempre.


Um dia acreditei nas paixões como acredito no amor.
Era algo que fascinava em cada detalhe. Uma música. Um filme. Um olhar. Uma confiança.
O despertar para o prazer de viver e de ser mulher.
E o amor, por também estar ali, zelava o ser em questão. Engolia por vezes o orgulho e acarinhava um coração que nunca olhou para o meu.
Estava ali morrendo aos poucos o que muito me possuia.
A paixão avassalou meu ser. Embaralhou todas as letras da minha identidade. Borrou minha imagem. Sucumbiu meu orgulho. Aumentou minha descrença.
Me colocou numa vereda em meio a uma vasta insegurança.
E o amor, por estar ali, suplicava penitencia, calma e compaixão.
Um dia os dois resolveram fazer as pazes: tudo seria pesado e avaliado. Quem fosse maior permaneceria.
O amor mostrou o estrago que a paixão havia feito. Estragos irreversíveis até hoje.
A paixão, no entanto, começou a ver coisas que antes passavam despercebidas.
Na verdade, ela quem estava sendo esquecida e a dor aos poucos ocupava seu espaço.
Portanto, o amor ficou. E a dor aumentou.
Até esta ter coragem e seguir para o rumo da solitude. O amor chorou. Sentiu estilhaços lhe cortando aos poucos, era a ausencia quem os conduzia.
E no decorrer sobrou um ser, quase inteiro. Um amor e uma dor.
E é para sempre que vou levar esta dor e este amor em palavras.
E em lágrimas e em súplicas aos ceus numa noite fria como esta.



Gabriela Sobreira



4 comentários:

  1. Eita menina, que quando você faz... você suspreende...

    Abraço com carinho!

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  2. Pesado. Doído. Desabafado. Ótimo, será por isso? Não. Não sei. Clarice diria por isso, eu não sei.

    O amor nunca faz estrago? Só a paixão? pQ?

    Esse texto é cheio de cicatrizes, e são cicatrizes do mundo.

    Um beijo!

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  3. O mundo me tem como eu tenho ele: pesado e doído. Com dores cansadas e alegrias desmedidas.

    O meu amor não me estraga, me esmaga, mas permaneço intacta.
    A paixão estraçalha cada pedaço de sanidade com grandes doses de prazer. É um "mal necessario".

    O que eu entendo de amor é bem diferente do que tenho visto "Nos bares, nas camas, nos lares, na lama". Numa vida de poucos amores.

    Bjo!

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