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domingo, 21 de novembro de 2010

Amanhã...


Um dia, não haverá no meu corpo, nenhum vestígio do teu.
Um dia, não haverá no meu cheiro, resquícios do teu.
Um dia, não haverá nos meus lençóis, fios dos teus cabelos.
Um dia, ao amanhecer, o vento tocará meus cabelos sem antes tocar teu corpo.
Um dia, acordarei com frio a noite e não sentirei falta do teu calor.
Um dia, teus vícios não estarão espalhados pelo meu quarto.
Um dia, meu sorriso não terá teu nome.
Um dia, minhas lágrimas não terão tua ausência.
Um dia, meu desejo não será o teu todo.
Um dia, minha cama não será vazia, mas desocupada.








quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Samba de Gafieira


Eu&Você para mim é algo mais que um contrato.
É entender com a alma e o coração
o "estar preso por vontade".
É dar a liberdade e mesmo assim ter paixão ou amor.
É recusar um beijo estranho por um coração conhecido.


É como um samba de gafieira!
Às vezes, é preciso soltar o parceiro para se ver a beleza
Para se girar e sambar e sentir e viver!
Ter junto...e separar e apertar e cruzar e soltar e rodar.


O samba é o que melhor descreve minha forma de amar.
Talvez por isso foi onde fui te procurar.

domingo, 12 de setembro de 2010






"En ma prison, je suis livre!!!"

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"O amor permite a ausencia e conversa com a saudade. A paixão não conhece a calma. Não cabe a ela ser metade."

domingo, 15 de agosto de 2010

À Portuguesa

Há tanta coisa que eu gostaria de dizer-lhe. Como tua raiva me parece insólita e mal direcionada.
Durante dois anos segui um código de respeito que vi outra pessoa trair. Hoje, pela quebra desse código, vejo a outra pessoa ser perdoada e divinificada com a única intenção de me humilhar.
Como jogas esses fatos tortos em minha face, tenho vontade de jogar-lhe minha verdade. A forma como tudo aconteceu ao meu ver.
Tua raiva é uma válvula de escape para justificar o teu perdão. Eu sou o laranja de uma relação que desconheço e que me parece tão fantasiosa.
A perfeição é cantarolada com se fosse real e os pecados são jogados pra debaixo do tapete como se não tivessem volume. Quando fogem rapidamente para o centro da sala, parece um terremoto, mas no fim, tudo está de pé.
Talvez seja uma estrutura frágil, que está sendo cada vez mais forçada para partir repentinamente amanhã. Talvez, cada terremoto crie uma ruptura gigantesca na casca e fortaleça, ainda que contraditoriamente, o centro da estrutura. Mas eu nada tenho a ver com isso.
Eu nem mesmo olho para a estrutura, ela que me amarra e puxa, ela que grita nesse céu lilás.

http://coracaodeserpente.blogspot.com/

Tenho desejos claros e definidos
e tenho você perdido
Entre o que sou e o que fui.
Tenho teu cheiro em minhas mãos.
Tenho teu nome guardado
E teu olhar pendurado
na borda da cabeceira
com mil beijos
e um boa noite!

sábado, 10 de julho de 2010

Eu tinha um coração,
uma mão e uma esperança.
Agora tenho uma confusão,
um telefone e uma lembrança

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Infecções

A sensação que tenho é que estou com febre. Meu corpo me parece debilitado pelas constantes e incuráveis infecções.Quando sorrio pelo agrado das minhas próprias palavras, como um artista que ao olhar sua obra se vê como um artista. Tapeio-me, somente gênios têm o direito de conhecer as profundezas. Por ser medíocre, devo contentar-me com os pontos de interrogação e as reticências que jamais esboçarão verdade alguma.Um carinho pode compartilhar uma dor. Um beijo pode infeccionar os nervos, pode tatuar na boca as alterações do corpo e da mente.Uma união física pode ser o fim do que chamam normalidade. O ápice da proximidade pode levar a queda total da imunidade. A intimidade entregue por alguns momentos e a fratura eterna de suas defesas. Como será que se sente aquele que é para sempre condenado a maquiar o íntimo? Todos maquiamos o íntimo, como fantasiamos a pele, mas se fôssemos forçados a tal?Quando nos tiram mesmo o privilégio que nunca optamos desfrutar, ainda nos ofendemos, nos sufocamos. Como na Arte da Guerra, tudo se baseia na ilusão de que o inimigo pode fugir. Tudo baseia-se na ilusão de que nossa intimidade nos pertence.Os carinhos podem ferir o corpo e alma.

sábado, 8 de maio de 2010

Desabafo desses de madrugada

"Anita abriu o livro sobre a mesa para ler a dedicatória: Ao homem que me faz acreditar em príncipe encantado. Nunca pensou que palavras tão doces e românticas, mesmo que piegas para tantos, lhe causassem tamanha dor.

Nunca, como mulher, Anita sentira-se tão mal. Como ser humano já se sentira pior, mas como mulher, sentia-se suja, criminosa. Ouvira o desejo de um homem comprometido, beijara lábios que pertenciam a outra. Mas parte da dor daquela poetiza era saber que alguém vivia a plena alegria de uma ilusão.

Será que se pode dizer que se ama alguém que tão pouco se conhece? Será que é verdadeiro um relacionamento baseado em mentiras?

Com os meses de convivência posteriores a noite em que tudo aconteceu, Anita descobriu que ele amava de fato a remetente daquela dedicatória, ou pelo menos, alimentava tão fielmente aquela ilusão que qualquer um que ignorasse o que Anita sabia, acreditaria no romantismo daquele relacionamento.

Eles trocavam senhas e confidências como quem confia, mas tinham segredos sagrados. Palavras duras e brigas contínuas. Anita nunca acreditou em brigas, sempre achou que brigas era um sintoma de uma relacionamento que iria falir.

Às vezes, a escritora perguntava-se se a enganada não era ela, se na verdade, a Remetente não sabia de tudo. Sabia da música que tocara, das palavras sussurradas, das situações descascadas.

E por algum motivo, Anita concluiu que não trocaria nenhum dos seus relacionamentos complicados e carentes de definições, regras e limites, por aquela ilusão, por mais bela que ela fosse. Anita amava a idéia da confiabilidade e mesmo sabendo que a Remetente tinha esse sentimento, Anita também sabia que essa não era a verdade e que bastava um passo em falso para que tudo desmoronasse e haveria muita dor.

Eis uma informação valiosa sobre a famosa escritora, ela era uma covarde. Não enfrentou esse desejo antes por medo de se apaixonar, não lutaria por ele por outros motivos, mas ainda sim, sempre foi muito mais covardia que qualquer outra coisa.

E Anita temia o dia que encararia a mulher que ajudara a trair, porque neste dia a trairia novamente, pois se calaria diante de um crime e se tornaria cúmplice dele. Restava a ela fingir que eram somente boas intenções".