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domingo, 16 de outubro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
"Unhas descascadas
de mágoa
numa agonia
de tanto tempo
e tanto faz
dedos em forma
de falos já afastados
que ascenderam
aceleraram
e hoje não passam
de quarto fechado
mãos mudas
quase mortas
caladas por calos
invisíveis
e vidas indivisíveis
pulsos frágeis
braços frígidos
ombros frouxos
tronco em fastio
todo um corpo
acometido de corpos
vazios."
de mágoa
numa agonia
de tanto tempo
e tanto faz
dedos em forma
de falos já afastados
que ascenderam
aceleraram
e hoje não passam
de quarto fechado
mãos mudas
quase mortas
caladas por calos
invisíveis
e vidas indivisíveis
pulsos frágeis
braços frígidos
ombros frouxos
tronco em fastio
todo um corpo
acometido de corpos
vazios."
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Quando Quintana veio a mim
Eu caminhava desviando das pequenas poças provavelmente formadas pela irregularidade de outros passos perdidos como os meus. Naquele momento, a força do meu movimento era idêntica à dos que nadam sem sair do lugar: num segundo eu via a margem, no seguinte era atraída para o fundo. Recordo-me bem disso. E também que acabei no banco da praça porque eram exaustivos demais os tais pensamentos. Sentei, coloquei o rosto entre as mãos e quando levantei os olhos, lá estava ele. Não sei dizer como surgiu ao meu lado. Não faço idéia se veio do céu ou de dentro de mim. Sei apenas que, de repente, lá estava o Poeta como que saído de uma fotografia, com sua bengala alada e seu cigarro suspirante. Meu coração disparou, minhas mãos umedeceram e eu virei a própria página em branco à procura da frase inicial. Sensível, esperto, atento, ele sentiu meu drama – mais esse – e falou primeiro:
– Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...
– Mas... é que... de repente o inatingível tornou-se insuportavelmente cansativo para mim.
– Ah, essas pequenas coisas, tão quotidianas, tão prosaicas às vezes...
– Pois acho que ando desejando o trivial, o quotidiano, o previsível. Um amor de rotina, com mais ação e menos imaginação.
– A imaginação é a memória que enlouqueceu.
– Nem me fale em enlouquecer... Estava mesmo aqui pensando que o excesso de amor é o mais insano dos sentimentos.
– Amar é mudar a alma de casa.
– Pois a minha alma achava que dessa vez havia encontrado a morada certa. A ponto de eu desejar que ele tatuasse minha letra em seu corpo como uma espécie de promessa de amor eterno...
– As únicas coisas eternas são as nuvens.
Calei. De todas as frases dele, essa era, para mim, a mais perturbadora. Foi por isso que, no lugar de responder, cerrei as pálpebras como quem cria um dique para impedir a represa. Quando voltei a mim, Mario já havia virado novamente nuvem. Enquanto eu já não mais me sentia um guarda-chuvas esquecido que não sabe para onde vai.
– Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...
– Mas... é que... de repente o inatingível tornou-se insuportavelmente cansativo para mim.
– Ah, essas pequenas coisas, tão quotidianas, tão prosaicas às vezes...
– Pois acho que ando desejando o trivial, o quotidiano, o previsível. Um amor de rotina, com mais ação e menos imaginação.
– A imaginação é a memória que enlouqueceu.
– Nem me fale em enlouquecer... Estava mesmo aqui pensando que o excesso de amor é o mais insano dos sentimentos.
– Amar é mudar a alma de casa.
– Pois a minha alma achava que dessa vez havia encontrado a morada certa. A ponto de eu desejar que ele tatuasse minha letra em seu corpo como uma espécie de promessa de amor eterno...
– As únicas coisas eternas são as nuvens.
Calei. De todas as frases dele, essa era, para mim, a mais perturbadora. Foi por isso que, no lugar de responder, cerrei as pálpebras como quem cria um dique para impedir a represa. Quando voltei a mim, Mario já havia virado novamente nuvem. Enquanto eu já não mais me sentia um guarda-chuvas esquecido que não sabe para onde vai.
Palavras
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tenho um plano
Tenho um plano
Para cada dia da semana
Para disfarçar cada engano
Cada enguiço
Preguiça
Premissa
Percalço
Que por acaso
Me assalte
Te asfalte
Feito esmalte
Que fixa
Asfixia
Durante estes sete dias
Que se repetem por covardia
Para cada dia da semana
Para disfarçar cada engano
Cada enguiço
Preguiça
Premissa
Percalço
Que por acaso
Me assalte
Te asfalte
Feito esmalte
Que fixa
Asfixia
Durante estes sete dias
Que se repetem por covardia
Sou de poucos amigos
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim.
Para conhecê-la mais: http://www.verbo21.com.br/2007/012007/entrevista012007_02.html
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim.
Para conhecê-la mais: http://www.verbo21.com.br/2007/012007/entrevista012007_02.html
"Quem somos nós que vivemos de desatar os nós das gargantas e juntar esperanças e procurar saídas e levantar bandeiras e adiar partidas. Quem somos nós que dizemos sim querendo dizer não e que balançamos as idéias quando alguém pede perdão. Quem somos nós feitas de emoções, intenções, intuições, mas que também dizemos palavrão quando não cabe uma canção. (...) Quem somos nós que temos muitos colos, calma e paciência, mas que muitas vezes perdemos isso em busca da própria existência. Quem somos nós que desejamos muito mais do que carinho, comida, teto e paz. Que olhamos pra frente sem nunca deixarmos de olhar pra trás. Quem somos nós aqui, neste exato presente? Folha, galho, raiz ou semente? Quem somos nós, além de sermos gente?"
segunda-feira, 5 de julho de 2010
"Quero tanto mais que tenho
Quero não ser um desenho
Ser mais que um risco
Mais que um riso
Quero encher os braços
Te dar mil abraços
Quero tanto tanto ter
Ter mais para contar
Mais para te dar
Não ser tão exigente
Quero um dia virar gente
Quero poder aliviar as dores
Dormir entre dois amores
Quero mais e ainda mais ter
Quero um dia poder
Não ter tanto para querer."
Quero não ser um desenho
Ser mais que um risco
Mais que um riso
Quero encher os braços
Te dar mil abraços
Quero tanto tanto ter
Ter mais para contar
Mais para te dar
Não ser tão exigente
Quero um dia virar gente
Quero poder aliviar as dores
Dormir entre dois amores
Quero mais e ainda mais ter
Quero um dia poder
Não ter tanto para querer."
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