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domingo, 12 de setembro de 2010

Luas

Era lua cheia e todos seus anseios estavam a flor da pele. Joana estava entregue aos seus vícios, cigarro e vinho. Por estar na varanda de uma bela casa de praia, quase não conseguia ouvir as sinfonias que tanto admirava.
Quando os ventos diminuiam suas inquietudes, as ondas se faziam presentes e Joana respirava fundo. O ar vinha de seu útero. Mas o ar não saía com ele, e sim levava-o para o pensamento.
Ela estava sendo pressionada a germinar.
O frio se fazia ausente diante da certeza que tinha em seu coração, era forte e viva que nem brasa. Entre um trago e um gole havia um abraço dado em si mesmo. Sentia amor demais por si. Isto bastava. Por sentir tanto amor, ela se permitia doar um pouco a Marcos.
Joana olhou para a lua, respirou fundo e viu seu amor dormindo que nem uma, preferiu recusar o pensamento. Era uma decisão. Sua.
Enquanto pegava a chave do carro, um filme rodava em sua cabeça: beijos demorados, amor ao amanhecer, dormir agarrados, drs incessantes, praias, sorvetes, filmes, e aqueles olhos. Aquele sorriso. Lágrimas.
Como gostava de escrever cartas, esta foi sua porta-voz:

Fiquei nua diante dos seus olhos,
sussurrei os mais verdadeiros desejos,
me apaixonei como nunca antes, e nem depois virá,
vivi o mais intensamente que pude,
daquilo que me deu: o presente.
Mas em mim germina o que jamais compreenderá,
e o que jamais será capaz de me dá.
Tua alma. Tua vida. Teu amor.
Amo-me mais do que o nosso agora de todos os dias,
e deles, conseguirei regressar você do meu coração.
Ao meu agora de amanhã, felicidade."

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tarefa árdua.

- Pregar a palavra sem deixá-la atingir o próprio coração.

Joana havia escutado estas palavras caso quisesse ser feliz. Ficou bastante pensativa. Passou dias refletindo a frase do sábio mestre. Como? Por que? Será? Se não for assim não serei feliz?
Terei que espalhar o amor sem sentí-lo?
Passar conhecimento sem vivenciá-lo?
Ensinar como ter fé, sem tê-la de fato?
E os dias iam passando e os questionamentos surgindo. Mas Joana era mais razão, seria fácil para ela achar a resposta. Bem, seria.
Racionalizou suas emoções e mesmo assim desmanchou-se em lágrimas. Existia muita palavra e sentimento no seu coração. Estava no auge de seu romance, super feliz em relação ao seu lado feminino, boa profissional, de bem, na boa. Mas como? Por que ouvi aquilo? Sofro sempre, pensou. Sofro por um mendigo, por uma falta de educação, por um colega está infeliz, por uma mal amada, até por aquela história de amor que acabou! Meu racional não entra neste campo. Vou ter que ser completa racional, razão?
Passados dias, Joana estava na sua melhor maneira: fumava seu cigarro com cheiro de cravo e desgustava seu vinho favorito na varanda de sua casa. Sentia só o frescor da noite. Se desvinculou de qualquer sensação e sem qualquer imaginação, lhe veio a mente:

- É mais que sentir. É transcender. É superar-se a qualquer ruína e colocar aquela segurança no coração dos demais. Segurança esta que é amor, fé, esperança, alegria e perdão,sempre.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E assim começa.

Joana estava a espera de seu ônibus e como faz todas as noites,lendo.
Um calor insuportável.Uma fila gigante.E fome.
Mas nada tirou sua concentração,exceto a chegada do que lhe levaria para seu grande encontro.
Fechou delicadamente seu livro e fez parte da confusão para adentrar o ônibus, quando de repente seu deu conta de um menino, na aurora de seus oito anos, deliciando um saboroso salgado com cobertura de ketchup.
O que ele mais queria foi ao chão com uma grande velocidade,pois uma bolsa acertou em cheio aquele salgado. E que não era a de Joana.
O menino fez um gesto com os braços e certamente se perguntou "E agora?".
Ela sentiu uma enorme vontade de mudar sua rota e tornar aquele momento bom de novo.
Mas o viu não exitando em esperar uma resposta. Ele tratou logo de pegar seu salgado e limpá-lo. E tornou a comê-lo,quase que com a mesma vontade. Porém,olhou para Joana e a recriminou injustamente por ter derrubado seu salgado.
Joana se sentiu um pouco ofendida, pois até pensou em comprar um novo, mesmo não sendo ela a culpada!

Mas parou e pensou:
- Assim é a vida. Acabam com nossa maneira de sentirmos prazer e o que temos que fazer é lavar o rosto e dar continuidade ao que chamamos de vida. E o pior, as vezes somos julgados erroneamente por a verdade não ser posta para as partes da mesma história.