Quando os ventos diminuiam suas inquietudes, as ondas se faziam presentes e Joana respirava fundo. O ar vinha de seu útero. Mas o ar não saía com ele, e sim levava-o para o pensamento.
Ela estava sendo pressionada a germinar.
O frio se fazia ausente diante da certeza que tinha em seu coração, era forte e viva que nem brasa. Entre um trago e um gole havia um abraço dado em si mesmo. Sentia amor demais por si. Isto bastava. Por sentir tanto amor, ela se permitia doar um pouco a Marcos.
Joana olhou para a lua, respirou fundo e viu seu amor dormindo que nem uma, preferiu recusar o pensamento. Era uma decisão. Sua.
Enquanto pegava a chave do carro, um filme rodava em sua cabeça: beijos demorados, amor ao amanhecer, dormir agarrados, drs incessantes, praias, sorvetes, filmes, e aqueles olhos. Aquele sorriso. Lágrimas.
Como gostava de escrever cartas, esta foi sua porta-voz:
Fiquei nua diante dos seus olhos,
sussurrei os mais verdadeiros desejos,
me apaixonei como nunca antes, e nem depois virá,
vivi o mais intensamente que pude,
daquilo que me deu: o presente.
Mas em mim germina o que jamais compreenderá,
e o que jamais será capaz de me dá.
Tua alma. Tua vida. Teu amor.
Amo-me mais do que o nosso agora de todos os dias,
e deles, conseguirei regressar você do meu coração.
Ao meu agora de amanhã, felicidade."