- Pregar a palavra sem deixá-la atingir o próprio coração.
Joana havia escutado estas palavras caso quisesse ser feliz. Ficou bastante pensativa. Passou dias refletindo a frase do sábio mestre. Como? Por que? Será? Se não for assim não serei feliz?
Terei que espalhar o amor sem sentí-lo?
Passar conhecimento sem vivenciá-lo?
Ensinar como ter fé, sem tê-la de fato?
E os dias iam passando e os questionamentos surgindo. Mas Joana era mais razão, seria fácil para ela achar a resposta. Bem, seria.
Racionalizou suas emoções e mesmo assim desmanchou-se em lágrimas. Existia muita palavra e sentimento no seu coração. Estava no auge de seu romance, super feliz em relação ao seu lado feminino, boa profissional, de bem, na boa. Mas como? Por que ouvi aquilo? Sofro sempre, pensou. Sofro por um mendigo, por uma falta de educação, por um colega está infeliz, por uma mal amada, até por aquela história de amor que acabou! Meu racional não entra neste campo. Vou ter que ser completa racional, razão?
Passados dias, Joana estava na sua melhor maneira: fumava seu cigarro com cheiro de cravo e desgustava seu vinho favorito na varanda de sua casa. Sentia só o frescor da noite. Se desvinculou de qualquer sensação e sem qualquer imaginação, lhe veio a mente:
- É mais que sentir. É transcender. É superar-se a qualquer ruína e colocar aquela segurança no coração dos demais. Segurança esta que é amor, fé, esperança, alegria e perdão,sempre.
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