
Um dia acreditei nas paixões como acredito no amor.
Era algo que fascinava em cada detalhe. Uma música. Um filme. Um olhar. Uma confiança.
O despertar para o prazer de viver e de ser mulher.
E o amor, por também estar ali, zelava o ser em questão. Engolia por vezes o orgulho e acarinhava um coração que nunca olhou para o meu.
Estava ali morrendo aos poucos o que muito me possuia.
A paixão avassalou meu ser. Embaralhou todas as letras da minha identidade. Borrou minha imagem. Sucumbiu meu orgulho. Aumentou minha descrença.
Me colocou numa vereda em meio a uma vasta insegurança.
E o amor, por estar ali, suplicava penitencia, calma e compaixão.
Um dia os dois resolveram fazer as pazes: tudo seria pesado e avaliado. Quem fosse maior permaneceria.
O amor mostrou o estrago que a paixão havia feito. Estragos irreversíveis até hoje.
A paixão, no entanto, começou a ver coisas que antes passavam despercebidas.
Na verdade, ela quem estava sendo esquecida e a dor aos poucos ocupava seu espaço.
Portanto, o amor ficou. E a dor aumentou.
Até esta ter coragem e seguir para o rumo da solitude. O amor chorou. Sentiu estilhaços lhe cortando aos poucos, era a ausencia quem os conduzia.
E no decorrer sobrou um ser, quase inteiro. Um amor e uma dor.
E é para sempre que vou levar esta dor e este amor em palavras.
E em lágrimas e em súplicas aos ceus numa noite fria como esta.
Gabriela Sobreira
Eita menina, que quando você faz... você suspreende...
ResponderExcluirAbraço com carinho!
Abraço bem recebido!
ResponderExcluirObrigada!
Pesado. Doído. Desabafado. Ótimo, será por isso? Não. Não sei. Clarice diria por isso, eu não sei.
ResponderExcluirO amor nunca faz estrago? Só a paixão? pQ?
Esse texto é cheio de cicatrizes, e são cicatrizes do mundo.
Um beijo!
O mundo me tem como eu tenho ele: pesado e doído. Com dores cansadas e alegrias desmedidas.
ResponderExcluirO meu amor não me estraga, me esmaga, mas permaneço intacta.
A paixão estraçalha cada pedaço de sanidade com grandes doses de prazer. É um "mal necessario".
O que eu entendo de amor é bem diferente do que tenho visto "Nos bares, nas camas, nos lares, na lama". Numa vida de poucos amores.
Bjo!