"Lembrou-se de como era antes destes momentos de agora. Ela era antes uma mulher que procurava um modo, uma forma. E agora tinha o que na verdade era tão mais perfeito: era a grande liberdade de não ter modos nem formas(...) Mesmo que nunca mais fosse sentir a grave e suave força de existir e amar, daí em diante, ela já sabia pelo que esperar, esperar a vida inteira se necessário, e se necessário jamais ter de novo o que esperava.(...) Era uma beleza que nada e ninguém poderia alcançar para tomar, de tão alta, grande, funda e escura que era."
Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.149
Clarice Lispector. Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres. ed. Rocco, 1998. p.149
Costumava ter Clarice como minha escritora de cabeceira, até ler este livro e perceber o quão magnifico é o que nele ela colocou. A cada palavra o fascínio aumentava, e , por mais que quisesse saber o final, lia bem devagar para ir além do que a mente conseguia traduzir. Ela entende a alma como poucos. Ela escreve nossa alma em diversos momentos. E nos faz perceber que nada é melhor que ser. SER. Infinitamente. Certamente, a partir de hoje, tenho um livro de cabeceira da minha escritora de cabeceira!
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