quarta-feira, 7 de março de 2012
"Cartas a um jovem poeta" - Rilke
“Só existe uma solidão. É grande e difícil de suportar. E quase todos nós conhecemos horas em que de bom grado a cederíamos a troco de qualquer convivência, por muito trivial e mesquinha que fosse; até pela simples ilusão de uma pequena coincidência com qualquer outro ser, mesmo com o primeiro que aparecesse, ainda que assim resultasse talvez menos digno. Mas acaso sejam estas, precisamente, as horas em que a solidão cresce – pois o seu desenvolvimento é doloroso como o crescimento das crianças e triste como o início da Primavera – ela, sem embargo, não deve desconcertá-lo, pois o único que, por certo, nos faz falta é isto: Solidão, grande e íntima solidão. Mergulhar em si mesmo e, durante horas e horas, não encontrar ninguém…Isto é o que importa conseguir. Estarmos sós, como estivemos sós quando éramos crianças, enquanto á nossa volta andavam os grandes de um lado para o outro, enredados em coisas que pareciam importantes e grandes, só porque eles se mostravam muito atarefados, e porque nós não entendíamos nada dos seus afazeres.
“Ora bem, se um dia os adultos acabarem por descobrir quão pobres são as suas ocupações, e como as suas profissões são vazias e falhas de qualquer nexo com a vida, porque não seguir, então, olhando todas essas coisas com os olhos da infância, como se fosse algo exterior e estranho? Porque não olhar tudo de longe, da profundidade do nosso próprio mundo, desde os extensos domínios da nossa própria solidão, que é também trabalho e dignidade e ofício?”.
(Rilke, “Cartas a Um Jovem Poeta”, sexta carta, de 23 de Dezembro de 1903)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
"A arte de não sentir dor"
Hoje li que "a emoção é sofrida" e logo me indaguei: vivo no automático? Faço do meu sentir uma representação? E então dei continuidade a minha leitura sobre emoções.
Fico refletindo sobre meus novos costumes. Penso em escrever ou descrevê-los para que eu possa, ou apenas tente, saber o que se passa aqui.
E nada vejo. Nenhuma dor me doi. Não me apetece. Não me pertence.
Não me cala e não me grita.
Não escrevo com choro, com correções gramaticais ou com expectativas.
Apenas com um pouco de saudade e vinho.
Em Nome da Terra - Vergilio Ferreira
"Querida. Veio-me hoje uma vontade enorme de te amar. E então pensei: vou-te escrever. Mas não te quero amar no tempo em que te lembro. Quero-te amar antes, muito antes. É quando o que é grande acontece. E não me digas lá porquê. Não sei. O que é grande acontece no eterno e o amor é assim, devias saber. Ama-se como se tem uma iluminação, deves ter ouvido. Ou se bate forte com a cabeça. Pelo menos comigo foi assim. Ou como quando se dá uma conjugação de astros no infinito, deve vir nos livros. Ou mais provavelmente esse tempo nunca pára de existir, que é quando realmente existe o que vale a pena existir. Vou pensar melhor a ver se eu próprio entendo."
Vergílio Ferreira
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Tua - Maria Bethania
"Dentro da noite voraz
Detrás do avesso do véu
Atravessa este verso
A vontade nua"
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
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