domingo, 7 de agosto de 2011

III




Naquele momento

o riso acabou

e veio o espanto

e do meu choro

o desentendimento

e das mãos unidas

veio o tremor dos dedos

e da vontade de vida

veio o medo.



Naquele momento

veio de ti o silêncio

e o pranto de todos os homens

brotou nos teus olhos translúcidos

e os meus se afastaram dos teus

e dos braços compridos

veio o curto adeus.



Naquele momento

o mundo parou

e das distâncias

vieram águas

e o barulho do mar.

E do amor

veio o grande sofrimento.



E nada restou

das infinitas coisas pressentidas

das promessas em chama.

Nada.



Hilda Hilst – Balada de Alzira (1951)

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