sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Meu eu a tempos partiu. Posso vê-lo dançando na chuva em meio a tantas árvores e estátuas.
A música é única e o conduz a margem da sociedade. O século é XIX. Meu ser tem a luz da madrugada. Tem vida. Tem cor. Tem afeto. Tem pudor. Tem sorriso nos lábios.

A ironia que satiriza o olhar de quem o vê é despercebida pelo movimento puritano.
A leveza que a brisa traz muda os passos desconectados.

E o meu ser com os pés descalços e as mãos perdidas no ar lá se contenta. É a chegada não esperada. É a saudade transformada em lembrança boa. É o abraço dado ao tempo do agora.

É a menina que nunca cresce. E a mulher que se afoba em tanta vida.
É a lágrima de amor que não mancha a pureza de um sorriso autêntico.

Meu ser é moleque contemporâneo e mulher camponesa moderna.


Gabriela Sobreira

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