terça-feira, 19 de outubro de 2010

Espelhos


Caminho?


Tantos desvios. Filha do vento, caminhante do tempo, da trilha invertida.
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Sigo sozinha, na busca do que toca.


Sinais?
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Sem mapas, meu percurso é solitário. Particular.


Trajetória?

Tem chão, tem curva, floresta fechada, desvio, tem água.

Tem gente que segue o caminho do outro.

Tem gente que busca poeira de trilha dada.


Eu não. Impossibilidades.


Pra encontrar meu caminho, fecho os olhos.


E de olhos fechados, encontro.


Bússola?


Sem mapas, nem pistas o desejo de vida me guia.


As vezes recuo, tem dias que avanço em outros, silêncio.


Tem dias de dois, outros de amor, alguns de saudades.


Tem dias de ira, fragilidade,


Despida?
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O barulho do vento, o sons do silêncio. Mergulho.


Escuro?


Vou fundo, encontro. Na aceitação de uma vida ao contrário.


Sabedoria?


Sabedoria para mim é filha do tempo, demora a nascer, é feita de experiência, suavidade e dor.


É parto normal. Saber que partir é normal. Poder voltar também.

Força?


Por muito tempo achava que ser forte era lutar contra-corrente; permanecer de pé mesmo na


turbulência; sobreviver a violência das águas, que arrastam. Achava que força era não sentir.


Hoje sei, evitar os sentimentos é um ato de extrema covardia. E arrogância também.

Resistir?


Resistir também é lutar e muitas vezes salva. Resistir pode ser pura teimosia, ou medo puro.


Tudo depende.



Com o tempo, e no silêncio de alguns mergulhos, fui percebendo que muitas vezes resisti não por


ser forte ou corajosa, mas por ser covarde e descrente.


Descrença?

Não confiar no movimento das águas por temer onde elas podiam me levar.


Mergulho?

Dos afogamentos sofridos, encontrei silêncio. No silêncio aprendi que a coragem está em suportar

o mergulho e sua solidão. Das muitas vezes que morri, aprendi que o lugar que as águas me

levaram eram o melhor lugar a se ir naquele momento. Mesmo que dor, mesmo que sal.

Curso da vida?


Poder confiar nas marés, suas mudanças, novas direções. É fluir junto com a


corrente, é mergulhar para o silêncio quando tudo se agita, é confiar no mistério das águas. É


submergir, é ver o sol, sentir o sol, fazer parte disso tudo, da trama, do drama, da festa. Estar


viva, estar na viva para sempre e tanto, e um pouco mais.



*
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Confiar na vida, é confiar no mistério.

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