sábado, 28 de abril de 2012

Andréa Beheregaray-DR em TPM: Amores Imperfeitos



Depois de assistir esse bate-papo maravilhoso sobre amores impossíveis, que acabou sendo mais sobre DRs, fiquei pensando sobre decepções. Pensei nas que senti e nas que causei. E tentei refletir. Acabei em mim, hoje. Como diz o Jorge "estando hoje" eu. Pois bem, procurei o significado e encontrei:
decepção (èç)
s. f.
1. Ilusão perdida.
2. Desapontamento.
3. Malogro de uma esperança.
4. Desilusão. (Priberam)

Nós (mesmo desejando todos os dias que eu não mais) não cultivamos o que a Andrea Beheregaray diz: "relação é a construção das diferenças". Achei isso fantástico! Não olhamos o ser como ele é, evitamos a nós mesmos, fugimos da nossa propria sombra (ainda desejando que isso não mais), não respeitamos a diferença do outro. Sentimos decepção porque projetamos pessoas e criamos sentimentos e,mais uma vez, não nos deixamos ser cativados pelo que o outro é, verdadeiramente.

A desconstrução do ser é diaria, portanto, a contradição humana também. Me descontruo e me contradigo desde o dia em que mais me decepcionei. Por que foi preciso dela pra isso? Porque eu cultivava ilusões. Utilizava o pensar para me projetar em pessoas. Mesmo amando o belo e o feio (porque eu sempre amo mais o feio, partindo do pressuposto que se a pessoa me mostra o feio é porque ela confia em mim, não tem vergonha de ser ela mesma e fica sem máscaras) eu me via sendo alguem com aquela pessoa, seja amigo,namorado/marido/afins,familia e me decepcionava. Eu os culpei, julguei e me afastei. Foi o melhor que fiz, porque me sinto melhor assim. Pra ser o que estou sendo hoje.

Não sei nada sobre a vida e nem por isso desisto dela. Assim como não desisto de mim, da minha desconstrução, da minha solidão. Simplesmente me cansei de ser a decepção do outro, pois mesmo sendo o que o outro espera, eu não sou só o que ele espera. Eu só sou eu, uma mundana dentro de mim mesma com os olhos atentos ao redor e me construindo na minha propria diferença.

Mesmo o direito de sofrer sendo do outro, não estou aqui para aceitar tudo o que respeito. E sim pra abraçar o que é puro, claro, verdadeiro, mesmo sendo feio e sombrio.

Amores imperfeitos ou perfeitos só se for com muita DR! Aliás, relações em que se queiram algum tipo de amadurecimento,não?!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Hoje dei bom dia a um novo contentamento,

Montaigne


"Devemos emprestar-nos uns aos outros; dar-nos, só a nós mesmos."

"Há mais diferença entre dois homens que entre um animal e um homem."

"Não podendo regularizar os outros, regularizo-me a mim mesmo."

"Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam."

"O silêncio, tal como a modéstia, ajuda muito numa conversação."

"Temos na filosofia uma medicina muito agradável, pois, nas outras, sentimos o bem-estar apenas depois da cura; esta faz bem e cura ao mesmo tempo."

"Nunca devemos dizer tudo, pois seria tolice; mas é indispensável que aquilo que se diz corresponda ao nosso pensamento; de contrário, é maldade."

“Ora, já que decidimos viver sós e dispensar companhia, façamos com que nosso contentamento dependa de nós: libertemo-nos de todos os laços que nos prendem aos outros, conquistemos de nós mesmos o poder de viver sós, em conhecimento de causa, e assim vivermos a nosso gosto.”

 - através do livro Como viver ou uma biografia de Montaigne

terça-feira, 10 de abril de 2012

Salmo por Maria Bethania

                                         "Vida Oh! Bela, oh! terna, oh! santa
Vida É breve, é grande, é tanta
Vida Ai, de quem não te canta, oh vida…  Diante da vida delirante Ai, de quem, vacilante, Repousa e não ousa viver… Deve passar toda existência Entre o medo e a ansiedade Não quero ter calmaria Eu quero ser tempestade Eu quero ser ventania Eu quero andar pela cidade Me embriagando de poesia Bebendo a claridade Da luz do dia. Diante da vida comovente Ai de quem, tão somente, Reclama e não ama viver… Deve ter feito dentro d’alma Um vasto mar de amargura Não quero ter agonia Eu quero sim, a locura O fogo da fantasia Um precipício de aventura A vida vindo como orgia No ofício da procura De todo dia. Diante do espelho dos seus olhos, ai, de quem não se vê (Não vê seu destino) Eu quero ver meu desatino frente a frente e poder dizer: - Você é quem sempre me dá prazer. Entre você e a calma eu quero ser você, ai!… Diante do abismo do mistério, ai, de quem se esconder (Não vai saber) Eu quero o salto pra vertigem de mim mesmo e poder dizer: - Eu era o caos e o caos eu quero. Eu quero o nada, o germe, eu quero a origem de tanto querer, ai! Diante da vida que é sublime Ai, de quem se reprime, Se ausenta e nem tenta viver… Deve ficar olhando o mundo E lamentando sozinho. Não quero ter letargia Eu quero ser rodamoinho Eu quero ser travessia Eu quero abrir o meu caminho Ser minha própria estrela-guia Virar um passarinho Cantando a vida assim Cantando além de mim E além de além do fim."

segunda-feira, 19 de março de 2012

Injeção de ânimo!

Melissa Etheridge & Joss Stone - Janis Joplin Tribute Quando dá vontade de gritar um palavrão de tanta coisa boa que se acumula num simples escutar!

Tiê - Entregue-se

Eu me entrego pros dias de sol Pra camisas de banda e até pra chocolates Ou filmes de romance esquecidos na estante Pros perfumes que deixam boas lembranças Pras risadas que me tiram todo o ar Às cores vibrantes do seu tênis Que caminham em minha direção Caminho devagar, se o tempo for bom Não pense muito No fim, tudo se adapta Se alguém te deixou cego Não questione, simplesmente vá Se o errado pra mim for o certo Eu não me importo Se o errado pra mim for o certo Eu não me importo, eu me entrego Eu me entrego à sua bagunça na minha sala A um bom livro antes de dormir Ao hoje, ao agora e ao talvez… Ao compromisso de realizar meus sonhos Desapego até dos meus esconderijos, aos berros Deixe a deixa aberta, aperte um sorriso Num mundo colorido pra que viver apenas uma cor? À música estrondosa, à casa vazia Chão gelado e silêncio interior Às bocas vermelhas, às meias de lurex Às unhas compridas, tudo junto, só se for Se o errado pra mim for o certo Eu não me importo Se o errado pra mim for o certo Eu não me importo, eu me entrego Eu me entrego apenas quando souber Que o que iremos passar vai ter valido uma canção Meia hora a mais na cama na segunda-feira Um dia chuvoso bem embaixo do edredom Ao colo de quem me aceita assim A tudo que puder antes que a cortina feche Até de malas prontas, me arrisco a compor De um jeito que ninguém sabe Sem sonhar com os pés no chão Entregue-se àquilo que te faz sentir (3x) Entregue-se àquilo que te faz