segunda-feira, 2 de agosto de 2010



"A areia molhada aos poucos ganhava mais e mais pegadas. Ondas quebravam ao longe emolduradas por um céu nublado. As pisadas delineavam, aos poucos, o delicado contorno dos pezinhos que deixavam suas marcas ao longo do trajeto.Respirou fundo até encher os pulmões do mais puro e límpido ar. Avistou a linha do horizonte, tão distante, tão longe... Sabia dos desejos que trazia consigo... Sentiu sua finitude misturar-se com o infinito do mar, do céu, do universo, daquelas águas mansas que ora tornavam-se revoltas mariolas, ora lhe acarinhavam os pés que seguiam adiante.Um breve sorriso surgiu em seus lábios convidativos. Estava sozinha. A Natureza era sua companhia. Uma imensa alegria invadiu tudo o que era ela. Sentiu-se feliz, completa... Sentiu-se parte de algo bem maior que seu próprio cotidiano. Sentiu que É."

"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."

"E que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca."

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é."

O meu olhar

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."